PF adia dois depoimentos sobre compra do Banco Master pelo BRB
Defesas alegaram falta de acesso integral às provas em investigação da Operação Compliance Zero
247 - A Polícia Federal adiou, nesta segunda-feira (26), parte dos depoimentos previstos no inquérito que investiga supostas irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A apuração integra a Operação Compliance Zero e analisa uma complexa negociação envolvendo carteiras de crédito que teriam sido repassadas em condições consideradas atípicas pelos investigadores. Segundo o jornal O Globo, advogados de dois investigados conseguiram suspender temporariamente as oitivas ao argumentarem que não tiveram acesso integral às provas reunidas pela Polícia Federal.
Novas datas ainda não foram definidas
Os investigados André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto estavam agendados para prestar depoimento às 10h e às 14h, respectivamente, mas não foram ouvidos. Até o momento, não há nova data definida para a realização das oitivas.
Ambos são sócios da empresa Tirreno, responsável pela venda de carteiras de crédito ao Banco Master. Esses ativos, que representam direitos sobre empréstimos, teriam sido posteriormente repassados ao BRB. De acordo com a investigação, há indícios de que essas carteiras eram fraudulentas.
Operação envolve carteiras de crédito sob suspeita
Ainda na manhã desta segunda-feira, a Polícia Federal ouviu por cerca de duas horas o ex-diretor financeiro do BRB, Dário Oswaldo Garcia Júnior. Para o fim da tarde, permaneceu marcada a oitiva de Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master.
As oitivas fazem parte de uma apuração sobre uma negociação que mobilizou mais de R$ 12 bilhões em ativos. Segundo a PF, as carteiras de crédito envolvidas seriam supostamente “insubsistentes” e teriam sido oferecidas ao BRB em condições consideradas questionáveis.
Depoimentos ocorrem no STF em modelo híbrido
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Os depoimentos vêm sendo realizados de forma híbrida, com sessões presenciais e por videoconferência. Ao todo, oito investigados devem prestar esclarecimentos até a terça-feira (27).
Entre os alvos da investigação estão executivos e ex-diretores do BRB e do Banco Master, como Robério César Bonfim Mangueira, superintendente de operações financeiras do BRB, e Luiz Antonio Bull, executivo ligado ao Banco Master.
Investigação apura crimes financeiros
A apuração mira possíveis crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. A permanência do caso no STF, em vez de um eventual retorno à Justiça Federal, dependerá em parte das informações colhidas ao longo dessas oitivas e do avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal.


