PF aponta que deputados pagaram faturas de cartão de Ciro Nogueira
Investigação cita pagamentos feitos por parlamentares do PP-PI e questiona compatibilidade de gastos com renda do senador
247 - Documentos da Polícia Federal (PF) obtidos no âmbito da Operação Compliance Zero apontam que os deputados federais Julio Arcoverde (PP-PI) e Átila Lira (PP-PI) realizaram pagamentos de faturas de cartão de crédito do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A investigação apura suspeitas de fraude financeira, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
De acordo com os registros analisados pela PF, Julio Arcoverde quitou uma fatura de R$ 13.693 de um cartão do Banco BRB vinculado a Ciro Nogueira em 19 de junho de 2024. O pagamento ocorreu no mesmo mês em que o senador participou de uma viagem a Lisboa custeada por Vorcaro, segundo a investigação.
Os documentos também indicam que Átila Lira pagou um boleto de R$ 3.457 referente ao mesmo cartão de crédito do BRB, também em junho de 2024. Para os investigadores, os pagamentos realizados por terceiros integram um conjunto de elementos que podem indicar mecanismos para ocultar a origem dos recursos utilizados para custear despesas pessoais do senador.
Relações políticas e familiares
A Polícia Federal também registrou outras conexões entre Julio Arcoverde e Ciro Nogueira. Os dois foram sócios da empresa Seven Bar & Charutaria, em Teresina (PI), entre 2003 e 2011. Além disso, Julio Ferraz Arcoverde Filho, filho do deputado, ocupa cargo de assessor parlamentar no gabinete do senador, com remuneração mensal de R$ 12.360, conforme os autos da investigação.
Os investigadores afirmam que as despesas registradas nos cartões de crédito de Ciro Nogueira apresentavam valores considerados elevados em comparação à remuneração oficial do senador. Conforme os documentos, a fatura do cartão do BRB chegou a R$ 120.839 em junho de 2024. No mesmo período, o cartão do Itaú registrou gastos de R$ 14.045. Já em fevereiro daquele ano, uma fatura do Bradesco alcançou R$ 46.109.
Suspeita de ocultação de despesas
Segundo a PF, os pagamentos efetuados por terceiros podem indicar uma tentativa de dificultar a identificação de quem efetivamente arcava com os gastos do senador. Os investigadores também afirmam que Ciro Nogueira vinculou um de seus cartões a outra pessoa, prática apontada como possível indício de interposição de terceiros.
A investigação sustenta que o objetivo dessas operações seria dificultar o rastreamento da movimentação financeira e ocultar a origem dos recursos utilizados para manter um padrão de consumo considerado incompatível com a renda formal declarada pelo parlamentar. Para a Polícia Federal, a prática poderia impedir a identificação da origem, do destino e do beneficiário final dos valores movimentados.



