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PF avança em investigação sobre ex-presidente do BRB no caso Master

Inquérito apura suspeita de triangulação financeira que teria viabilizado compra de ações do banco público e ampliado aquisição de carteiras do Master

Paulo Henrique Costa, presidente do BRB (Foto: Felipe Gonçalves / Lide)

247 - A Polícia Federal (PF) avançou nas investigações sobre a suposta participação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, em um esquema de triangulação financeira que teria permitido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro adquirir ações da instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. O caso envolve operações de aumento de capital que, segundo os investigadores, teriam viabilizado a expansão da compra de carteiras de crédito do Banco Master. As informações são da Folha de São Paulo.

O inquérito examina operações que resultaram em um aumento de capital de R$ 1 bilhão no BRB, valor que teria impulsionado a aquisição de carteiras do banco de Vorcaro em mais R$ 10 bilhões. No total, o BRB comprou R$ 21,9 bilhões em carteiras da instituição ligada ao ex-banqueiro.

Paulo Henrique Costa tornou-se alvo da investigação e, segundo pessoas ouvidas pela reportagem sob condição de anonimato, há indícios de que ele tenha participado diretamente do esquema. Informações obtidas pelos investigadores indicam que o ex-dirigente manteve comunicações diretas com Vorcaro registradas em seu celular, cujo conteúdo ainda não foi divulgado publicamente.

A apuração também levanta a hipótese de que documentos relacionados às operações tenham sido alterados posteriormente aos fatos. A suspeita é de que o ex-presidente do BRB teria tido papel central na estruturação da triangulação financeira envolvendo fundos de investimento e pessoas físicas que participaram do aumento de capital do banco público.

Procurado desde sexta-feira (6), Paulo Henrique Costa não comentou as acusações. Em nota enviada na segunda-feira (9), a defesa informou que ainda não dispunha de elementos para responder às perguntas da Folha. Em conversas com interlocutores, o ex-dirigente afirma não reconhecer a existência de irregularidades e sustenta que não há documentos que comprovem a ocorrência de fraudes.

Entre os elementos analisados pelos investigadores está uma mensagem encontrada no bloco de notas do celular de Daniel Vorcaro e encaminhada à CPI do INSS. No registro, o ex-banqueiro escreveu: “A turma do BRB me disse que tá tendo um movimento de sacanagem do caso. E que a mesma jornalista que antes estava fazendo perguntas lá (sic). Se vazar algo será pessimo mas pode ser um gancho pra entrar no circuito do processo”.

O texto foi salvo em 17 de novembro do ano passado, data em que o Banco Central deliberou pela liquidação do Banco Master e em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que levou à primeira prisão de Vorcaro por suspeitas de fraudes nas carteiras de crédito vendidas ao BRB.

Para os investigadores, a mensagem sugere que o empresário continuava recebendo informações de dentro do banco público mesmo após o Banco Central ter rejeitado, em setembro, a proposta de aquisição do Master e ter proibido o BRB de comprar novas carteiras da instituição. A determinação da autoridade monetária foi formalizada em 15 de outubro.

Naquele período, Vorcaro tentava vender ativos para reforçar o caixa do banco e evitar sua liquidação. Paralelamente, as investigações apontam que o esquema financeiro poderia envolver outros nomes ligados ao Banco Master.

Segundo a apuração, além de Vorcaro, a operação também teria contado com a participação do ex-sócio da instituição Maurício Quadrado e do fundador e ex-presidente do conselho de administração da Reag, João Carlos Mansur. Juntos, eles se tornaram acionistas de 23,5% do capital do BRB.

O inquérito foi aberto após a atual direção do BRB encaminhar à Polícia Federal, no início de fevereiro, um relatório preliminar de auditoria forense. O trabalho foi conduzido pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da consultoria Kroll.

As investigações indicam que Paulo Henrique Costa teria exercido papel decisivo tanto nas negociações comerciais com o Banco Master quanto na busca por novos investidores para o aumento de capital do BRB. Há indícios de que ele próprio tenha sugerido fundos responsáveis por adquirir parte relevante das ações do banco público, ficando atrás apenas do acionista controlador, o governo do Distrito Federal.

Entre os fundos envolvidos na compra das ações estão Verbier\Cabreúva, Borneo e Delta, responsáveis por adquirir 99% dos papéis vendidos na operação. Segundo a investigação, esses fundos não participaram das etapas iniciais de estruturação do aumento de capital — uma exigência do processo — e teriam sido criados especificamente para viabilizar a operação.

A apuração também identificou possíveis intermediários que teriam atuado como laranjas na compra das ações. Um deles seria um advogado que representou o Banco Master em negociações com o próprio BRB e que teria adquirido papéis dos fundos Delta e Borneo por meio da empresa Cartos, vinculada à Reag.

Outro suspeito identificado é um morador de São Luís (MA). Apesar de declarar renda mensal de cerca de R$ 35 mil, ele teria adquirido R$ 90 milhões em ações do BRB, operação financiada pela empresa Qista, também associada à Reag. As circunstâncias dessas aquisições integram agora o conjunto de evidências analisadas pela Polícia Federal no inquérito.

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