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PF busca contatos com Vorcaro em celulares de Jaques Wagner

Polícia Federal inicia perícia nos aparelhos do senador e busca contatos entre Jaques Wagner, Daniel Vorcaro e Augusto Lima

Jaques Wagner (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
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247 - A Polícia Federal vai periciar dois celulares apreendidos com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT) no Senado, para verificar possíveis conexões com investigados no caso Banco Master, apurado no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras, informa o jornal O Globo.

Os aparelhos foram recolhidos durante a nona fase da operação. A PF pretende analisar o conteúdo de conversas entre Wagner e o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, que foi sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. Parte desses diálogos já havia sido identificada no celular de Lima, preso anteriormente na Operação Compliance Zero, depois liberado e novamente alvo de buscas nesta fase.

A PF também deve verificar se houve contato direto entre Wagner e Vorcaro, hipótese negada de forma enfática pelo senador. Além dos celulares, os agentes apreenderam US$ 49 mil em espécie em um quarto de hotel em Brasília e US$ 6,1 mil, além de R$ 33,5 mil, em um endereço em Salvador. Os locais são ligados ao parlamentar. O total corresponde a R$ 479 mil.

Wagner afirmou que parte significativa dos valores tem origem em diárias pagas pelo Senado em razão de missões oficiais no exterior. Em entrevista à BandNews, o senador disse que recebeu recursos em dólar ao longo dos últimos anos e que também adquiriu moeda estrangeira para viagens.

“Eu viajei para o exterior, mandei até levantar. E, de 2019 para cá, eu recebi de diárias aproximadamente US$ 70 mil dólares, e outras vezes que eu fui viajar eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho conta, dólares ou euro, para fazer a viagem. Então, eu não tenho nenhuma coisa para esconder”, afirmou Wagner.

O parlamentar também negou ter recebido dinheiro do Banco Master ou de Augusto Lima. Na mesma entrevista, declarou estar tranquilo em relação à apuração conduzida pela Polícia Federal. “Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima. Então, eu estou absolutamente à vontade”, disse o senador.

De acordo com dados do Portal da Transparência, Wagner recebeu US$ 66,8 mil em diárias referentes a 27 viagens oficiais realizadas entre 2019 e 2026. Os mandados de busca em endereços ligados ao parlamentar foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

No despacho, Mendonça registrou que a PF apontou Wagner como o “beneficiário central” de “vantagens econômicas” supostamente pagas por Augusto Ferreira Lima em troca de atuação no Congresso Nacional em favor da instituição financeira investigada. Entre os benefícios citados estão pagamentos relacionados a um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de aeronaves particulares e ingressos para um show internacional.

A defesa de Augusto Lima afirmou, em nota, que as ações da PF foram “desnecessárias”, sob o argumento de que o empresário estaria à disposição das autoridades havia seis meses. O texto sustenta ainda que as medidas devem contribuir para demonstrar a licitude dos fatos investigados.

“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”, declarou a defesa.

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