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PF identifica ligação entre encontros de Castro e aportes no Banco Master

Investigação aponta “elevada coincidência temporal” entre reuniões com Daniel Vorcaro e investimentos bilionários do Rioprevidência

Claudio Castro - Daniel Vorcaro (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil / Banco Master/Divulgação)
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247 - A Polícia Federal apontou uma “elevada coincidência temporal” entre encontros de Cláudio Castro com o banqueiro Daniel Vorcaro e aportes bilionários feitos pelo Rioprevidência no Banco Master.

Reportagem do G1 aponta que a avaliação consta da decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo o documento, os investigadores identificaram “sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do RPPS”.

De acordo com a PF, a relação entre Castro e Vorcaro “não se limitou a contatos institucionais”. A investigação sustenta que havia um “vínculo pessoal estreito”, marcado por encontros frequentes, inclusive “em ambientes privados e no exterior”, custeados pelo banqueiro.

Os investigadores afirmam que essa proximidade teria criado o “alinhamento político necessário” para viabilizar os aportes e influenciado mudanças internas no Rioprevidência. O fundo é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro e administra uma das maiores estruturas previdenciárias do país.

Atualmente, o sistema atende cerca de 237 mil aposentados e pensionistas civis e militares do estado. A investigação aponta que, após mudanças internas, novos gestores teriam adotado decisões em desacordo com a política conservadora que até então orientava os investimentos do Rioprevidência.

Entre os pontos citados pela PF estão o credenciamento acelerado do Banco Master, a ausência de análises técnicas estruturadas, a falta de comparação com alternativas disponíveis no mercado, avaliações de risco consideradas insuficientes e a manutenção dos aportes mesmo depois de alertas emitidos por órgãos de controle.

A decisão também descreve uma sequência considerada relevante pelos investigadores. O então diretor de investimentos do Rioprevidência, Eucherio Lerner Rodrigues, assumiu o cargo em 4 de outubro de 2023. No mesmo dia, o Banco Master solicitou credenciamento junto ao fundo.

Segundo a PF, foi a partir desse momento que tiveram início os investimentos hoje investigados na Operação Compliance Zero. Os cálculos citados no documento indicam que o Rioprevidência destinou R$ 3,69 bilhões ao Banco Master, considerando aplicações em Letras Financeiras e em fundos vinculados ao grupo financeiro.

A investigação afirma ainda que parte dos investimentos ocorreu após o surgimento de obstáculos regulatórios para manter os aportes em Letras Financeiras. Nesse contexto, os recursos teriam sido direcionados para fundos estruturados ligados ao banco, em uma suposta tentativa de contornar restrições regulatórias.

Para o ministro André Mendonça, há “elevada probabilidade” de que os investigados integrem “um amplo, estável e bem estruturado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro criado para o desvio de uma cifra bilionária do Rioprevidência”.

A nova fase da Operação Compliance Zero amplia a apuração sobre a relação entre decisões internas do fundo previdenciário fluminense, os aportes no Banco Master e os contatos mantidos entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro, apontados pela PF (Polícia Federal) como elementos centrais da investigação.

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