HOME > Brasil

PF possui indícios de ordens de Vorcaro para ataques digitais ao BC

Mensagens em celular apreendido apontam comando direto a influenciadores para defender o Banco Master e atacar autoridades e jornalistas

Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)

247 - A Polícia Federal identificou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro determinou pessoalmente ações coordenadas nas redes sociais para promover o Banco Master, atacar autoridades públicas e criticar jornalistas. As suspeitas surgem a partir da análise inicial do telefone celular do empresário, apreendido no momento de sua prisão durante a Operação Compliance Zero.

Segundo os investigadores, diálogos localizados no aparelho indicam que Vorcaro dava ordens diretas para a execução dessas estratégias digitais. O material está sendo examinado para a elaboração de um relatório preliminar, que poderá embasar a abertura de um inquérito policial, caso sejam identificados indícios de crimes.

As informações foram reveladas pelo jornal O Estado de São Paulo, que teve acesso a dados da investigação. De acordo com fontes ouvidas pelo veículo, Vorcaro não se comunicava diretamente com os influenciadores, mas repassava orientações a auxiliares externos ao quadro formal do Banco Master. A defesa do banqueiro foi procurada, mas não se manifestou.

Conforme a apuração, o empresário solicitava a divulgação de conteúdos positivos sobre o banco e, ao mesmo tempo, determinava ataques virtuais contra pessoas públicas que, em sua avaliação, estariam agindo contra a instituição financeira. As mensagens analisadas pela PF são anteriores à liquidação do Banco Master pelo Banco Central, decretada após a apreensão do celular.

À época, já havia registros de ofensivas digitais contra o Banco Central, motivadas pela demora na análise da venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), operação que acabou vetada pelo órgão regulador no início de setembro. Para os investigadores, o padrão de atuação descrito nos diálogos é semelhante aos ataques coordenados que voltaram a ocorrer mais recentemente, após a liquidação do banco, especialmente no período da virada do ano.

Os contratos firmados com influenciadores previam pagamentos que poderiam chegar a R$ 2 milhões, conforme noticiado pelo jornal O Globo. O Estadão também revelou a existência de um contrato identificado como “Projeto DV”, com cláusula de multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Um dos envolvidos no esquema é administrador de empresas ligado ao jornalista de celebridades Leo Dias.

Atualmente, a Polícia Federal concentra esforços na consolidação das informações coletadas para avaliar a necessidade de aprofundar a investigação. Como já havia sido divulgado pelo Estadão/Broadcast, instituições e autoridades relacionadas ao processo de liquidação do Banco Master foram alvo de ataques coordenados nas redes sociais, em uma ofensiva concentrada em cerca de 36 horas.

Essas ações utilizaram perfis conhecidos por promover celebridades para questionar a credibilidade de órgãos como o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no contexto da liquidação do Master, que segue sob análise do Tribunal de Contas da União.

Artigos Relacionados