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PF quer ouvir mulheres que participaram das festas de Vorcaro

Investigadores apuram possível exploração sexual em festas promovidas pelo ex-banqueiro

PF quer ouvir mulheres que participaram das festas de Vorcaro (Foto: Divulgação)

247 - A Polícia Federal (PF) pretende ouvir mulheres que participaram de festas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, no âmbito das investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras e possíveis crimes associados aos eventos realizados pelo empresário. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.

A defesa de Vorcaro entregou à PF, na quarta-feira (6), uma proposta de delação premiada para colaborar com as investigações. Paralelamente à apuração sobre irregularidades bancárias envolvendo o Banco Master, os investigadores buscam esclarecer a presença de mulheres em festas usadas, segundo mensagens obtidas pela polícia, como forma de aproximação do ex-banqueiro com autoridades públicas.

A PF trata essas mulheres como possíveis vítimas e tenta identificar se havia uma estrutura organizada de exploração sexual associada aos encontros promovidos por Vorcaro. Essa linha de investigação ocorre separadamente da apuração principal sobre suspeitas de fraude financeira. A defesa do ex-banqueiro foi procurada, mas não se manifestou.

Uma reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em abril, já havia revelado que Vorcaro investia em eventos frequentados por autoridades e mulheres de diferentes nacionalidades, entre elas russas, ucranianas, lituanas, holandesas, mexicanas e venezuelanas.

O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). Em fevereiro, o subprocurador-geral Lucas Furtado solicitou a abertura de investigação para apurar a presença de autoridades em festas realizadas por Vorcaro em Trancoso, no sul da Bahia.

Segundo a representação encaminhada ao TCU, os eventos, conhecidos como “Cine Trancoso”, teriam reunido integrantes dos Três Poderes, membros do mercado financeiro, políticos e representantes do meio jurídico. O Ministério Público quer identificar quais autoridades participaram das festas e verificar se houve uso de recursos públicos para custear viagens ou hospedagens.

Ainda conforme a investigação, os encontros tinham rígido controle de acesso. O uso de celulares era proibido, havia detectores de metais e, ao mesmo tempo, o ex-banqueiro mantinha um sistema interno de câmeras sob alegação de segurança pessoal.

Entre os elementos reunidos pela PF estão mensagens enviadas pela proprietária de uma casa em Trancoso alugada por Vorcaro. Nas conversas, a empresária reclama da quantidade de convidados e da presença de prostitutas no imóvel.

“O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior”, escreveu a proprietária em mensagem datada de 5 de outubro de 2022, véspera do aniversário do empresário.

Mensagens obtidas pela PF também mostram diálogos entre Vorcaro e sua então noiva, Martha Graeff, sobre a presença de prostitutas nos eventos promovidos por ele.

“Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, escreveu Vorcaro em uma troca de mensagens de 18 de agosto de 2025, segundo os investigadores.

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