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Mendonça critica delação de Vorcaro e discute com advogados do ex-banqueiro

Ministro do STF considera relatos do ex-controlador do Banco Master insuficientes para acordo de delação premiada

André Mendonça (Foto: Luiz Silveira/STF I Divulgação)

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça teve discussões duras com a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro durante as negociações envolvendo um possível acordo de delação premiada. Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, Mendonça demonstrou insatisfação com os relatos e anexos apresentados à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro é relator do processo que investiga Vorcaro por suspeitas de irregularidades ligadas ao Banco Master.

Os anexos da colaboração premiada foram entregues às autoridades nesta quarta-feira (6), mas, de acordo com a apuração, o conteúdo não teria atendido às expectativas dos investigadores. Mendonça avalia que as informações apresentadas divergem de elementos já reunidos pela PF ao longo das investigações.

Relação com Alcolumbre está entre os pontos questionados

Entre os temas considerados sensíveis está a ausência de esclarecimentos sobre a relação de Daniel Vorcaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Mensagens encontradas pela PF em celulares apreendidos indicariam que o ex-banqueiro chegou a se reunir com Alcolumbre na residência oficial da presidência do Senado.

Outro episódio citado envolve a Amprev (Amapá Previdência), responsável pela gestão previdenciária do estado. O órgão aplicou cerca de R$ 400 milhões em títulos considerados de alto risco ligados ao Banco Master. À época, a instituição era comandada por Jocildo Silva Lemos, apontado pela PF como aliado político de Alcolumbre e alvo de operação policial realizada em fevereiro.

Defesa pode recorrer à Segunda Turma do STF

Caso André Mendonça rejeite a delação premiada, a defesa de Vorcaro poderá recorrer à Segunda Turma do STF. Entre os pedidos possíveis está a revogação da prisão do ex-banqueiro. Nem o ministro André Mendonça nem os advogados de Daniel Vorcaro responderam aos contatos feitos pela reportagem.

A delação foi organizada em anexos separados, cada um tratando de um episódio específico de supostas irregularidades. O material reúne relatos sobre crimes atribuídos ao ex-banqueiro, possíveis condutas ilícitas envolvendo terceiros e provas que poderão ser apresentadas caso o acordo seja homologado.

Investigadores cobram provas inéditas

Após a entrega dos anexos, a negociação entra em uma nova etapa, marcada pela discussão sobre eventuais benefícios penais, como redução de pena e definição do regime de cumprimento. Segundo autoridades envolvidas no caso, não há previsão de concessão de perdão judicial a Vorcaro neste momento.

Também serão debatidos valores relacionados a multas e ressarcimentos aos cofres públicos. Investigadores esperam que o ex-banqueiro apresente detalhes mais profundos sobre o funcionamento do esquema investigado.

Pessoas próximas a Vorcaro chegaram a afirmar que ele não pretendia envolver ministros do STF nas declarações. Posteriormente, os advogados teriam informado que ele “não pouparia ninguém”, o que ajudou a destravar a fase inicial das negociações.

Ministros do STF são citados em investigação

Atualmente, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli aparecem no centro das suspeitas devido a menções encontradas em conversas armazenadas no celular do ex-banqueiro. Ambos negam qualquer irregularidade.

Os advogados de Vorcaro têm comparecido diariamente à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde os depoimentos vêm sendo colhidos.

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. A PF sustenta que ele pretendia fugir do país, enquanto a defesa afirma que a viagem tinha como objetivo encontrar investidores interessados na venda do Banco Master.

Prisões na operação Compliance Zero

Durante o período em que esteve detido, Vorcaro teria permanecido 13 dias sem acesso a banho de sol e passado três dias isolado em uma cela, sem contato com outras pessoas.

Para que o acordo de colaboração seja aceito, o ex-banqueiro precisará apresentar provas inéditas e demonstrar possibilidade concreta de recuperação de recursos supostamente obtidos de forma fraudulenta.

Ele chegou a ser solto dez dias após a primeira prisão, mas voltou a ser detido em 4 de março, durante uma nova fase da operação Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central.

Outro investigado no caso, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também tenta negociar um acordo de delação premiada após trocar sua equipe de defesa.

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