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PF só analisou 30% de um dos celulares de Daniel Vorcaro, do Master

Perícia em aparelhos apreendidos ainda está em fase inicial e novas provas devem surgir nas próximas semanas

Fachada do Prédio da Polícia Federal em Brasília (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

247 - A análise do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, pela Polícia Federal ainda está em estágio inicial e cobre apenas cerca de 30% do conteúdo do aparelho. Segundo autoridades que acompanham as investigações, o material examinado até agora representa apenas uma pequena parte do conjunto de provas disponíveis, o que mantém incertezas sobre possíveis novos desdobramentos do caso, de acordo com Carla Araújo, do UOL.

O tema ganhou repercussão após o vazamento de trechos do conteúdo do celular de Vorcaro, que acabou colocando o Supremo Tribunal Federal (STF) no centro de uma crise institucional. A jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou que o ministro Alexandre de Moraes teria trocado mensagens de visualização única com Vorcaro no dia da primeira prisão do ex-banqueiro.

Inicialmente, Moraes negou a informação e afirmou que a reportagem era fruto de uma “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”. Posteriormente, na noite de sexta-feira (6), após a divulgação de novos prints das conversas pela jornalista, o ministro se manifestou novamente por meio de uma nota pública.

No comunicado, o gabinete de Moraes informou que realizou uma “análise técnica” do material vazado e que o procedimento teria demonstrado que o ministro não seria o destinatário das mensagens atribuídas a Vorcaro. O STF, no entanto, não detalhou quem foi responsável pela perícia mencionada. A nota também não esclarece de que forma o gabinete do ministro teve acesso ao conteúdo analisado, uma vez que os dados extraídos do aparelho permanecem sob sigilo no âmbito das investigações.

Parte das informações extraídas do celular chegou recentemente à CPMI do INSS, ampliando a tensão entre instituições envolvidas no caso. O vazamento dos dados provocou desconfiança entre investigadores e advogados, que passaram a defender a abertura de uma apuração específica para identificar a origem das divulgações.

O ministro André Mendonça autorizou a investigação sobre os vazamentos. Paralelamente, autoridades que acompanham o caso afirmam que ainda é cedo para concluir se novas mensagens poderão trazer outros elementos capazes de gerar desgaste adicional ao ministro Alexandre de Moraes.

Segundo essas fontes, nem mesmo as conversas registradas no dia 17 — data considerada central no episódio — teriam sido totalmente analisadas pela Polícia Federal. Nesse dia, horas antes de ser preso, Vorcaro teria enviado uma mensagem que dizia: “Conseguiu bloquear?”.

A avaliação interna é que a perícia ainda precisa avançar não apenas no celular de Vorcaro, mas também em mais de uma centena de aparelhos apreendidos durante as investigações. Por isso, investigadores consideram que o material divulgado até agora representa apenas uma fração do conteúdo total que ainda será analisado.

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