PGR pede ao STF arquivamento de inquérito contra Musk
Procurador-geral da República, Paulo Gonet, diz que não há provas de atuação dolosa da rede X contra decisões do Supremo
247 - A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito que investiga o empresário Elon Musk por supostos crimes de obstrução à Justiça, inclusive em organização criminosa, e incitação ao crime. O pedido foi encaminhado ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, responsável por analisar a manifestação.
De acordo com o G1, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, concluiu que as provas reunidas ao longo da investigação não demonstraram que a rede social X tenha atuado de forma intencional contra a autoridade do Poder Judiciário brasileiro.
PGR aponta ausência de conduta dolosa
No documento enviado ao STF, Gonet sustenta que não foram identificados elementos que comprovem comportamento deliberado por parte dos representantes da plataforma. “Na espécie, não se logrou identificar comportamento doloso por parte dos representantes legais da provedora que consubstanciasse desobediência a decisões sobre suspensão de direitos, embaraço a investigações de organizações criminosas ou incitação pública ao crime; ao revés, o que se descortinou foram falhas operacionais pontuais que, uma vez notificadas, foram prontamente sanadas pela companhia”, afirma o texto.
A manifestação ressalta que o Supremo possui entendimento consolidado de que o descumprimento intencional de ordens judiciais por provedores de redes sociais, especialmente no bloqueio de perfis envolvidos com discurso de ódio e ataques à ordem institucional, pode caracterizar colaboração com atividade criminosa. No entanto, segundo a PGR, esse cenário não ficou comprovado no caso analisado.
Trechos do documento enviado ao STF
Em outro trecho, o procurador-geral destaca que “no caso sub examine [matéria examinada], todavia, inexistem elementos de informação que apontem para uma resistência deliberada da plataforma em acatar as determinações desta Corte ou do Tribunal Superior Eleitoral”.
O documento também aborda episódios relatados pela autoridade policial ao longo da apuração. “As intercorrências relatadas pela autoridade policial, embora tenham permitido o acesso efêmero a conteúdos suspensos, configuram impropriedades técnicas inerentes à gestão de uma rede de dimensões globais, carecendo de intenção fraudulenta”, registra.
Decisão caberá a Alexandre de Moraes
Nos últimos anos, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que redes sociais bloqueassem contas de investigados, especialmente de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o magistrado, esses perfis utilizavam as plataformas para práticas sob investigação, como disseminação de desinformação, discurso de ódio e ataques às instituições democráticas.
Com o pedido formal de arquivamento apresentado pela Procuradoria-Geral da República, caberá agora ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre a continuidade ou o encerramento do inquérito envolvendo Elon Musk e a atuação da rede social X no Brasil.


