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PGR vê fragilidades em delação de Vorcaro, mas avalia recuperação bilionária de recursos

Paulo Gonet demonstra reservas sobre informações do ex-banqueiro, mas considera acordo para ressarcimento bilionário

Daniel Vorcaro (Foto: José Cruz/Agência Brasil I Reprodução)
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247 - O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem adotado postura cautelosa diante da proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro à Procuradoria-Geral da República (PGR). Apesar da falta de entusiasmo com o conteúdo revelado até o momento, a possibilidade de recuperar bilhões de reais supostamente desviados durante a gestão do Banco Master mantém o acordo em análise. As informações foram publicadas pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, Gonet considera insuficientes os elementos apresentados até agora por Vorcaro, mas enxerga na colaboração uma oportunidade estratégica para ressarcir os cofres públicos.

A expectativa da PGR é que o ex-banqueiro devolva cerca de R$ 60 bilhões relacionados aos prejuízos atribuídos à administração da instituição financeira. Até o momento, conforme pessoas próximas às investigações, Vorcaro teria oferecido a devolução de aproximadamente R$ 40 bilhões ao longo de dez anos.

O prazo, porém, é considerado excessivamente longo por Paulo Gonet. De acordo com interlocutores da Procuradoria, o procurador-geral se apoia em experiências anteriores envolvendo acordos de colaboração premiada e leniência para justificar a resistência a condições consideradas brandas.

Entre os exemplos citados estariam casos de empresas e investigados que não cumpriram integralmente os compromissos financeiros firmados com a Justiça. Há também preocupação com decisões posteriores que acabaram suspendendo pagamentos de multas bilionárias, como ocorreu em acordos ligados à Odebrecht.

A palavra final sobre o acordo está nas mãos de Gonet. Como chefe da PGR, ele detém a titularidade da ação penal e, portanto, o poder de decidir se a colaboração será aceita ou rejeitada. Caso a proposta seja recusada, os advogados de Daniel Vorcaro não terão outra instância para recorrer dentro do Ministério Público.

Nesse cenário, as denúncias continuariam avançando normalmente, ampliando o risco de condenação criminal e prisão do ex-banqueiro. Por outro lado, se o procurador-geral decidir validar a delação, as críticas feitas pela Polícia Federal e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça sobre a fragilidade das informações apresentadas poderiam perder força no processo.

Embora a Polícia Federal participe das investigações, a corporação não possui competência para definir os rumos da acusação. Já o STF poderá analisar a homologação do acordo. Mesmo diante de eventual resistência do ministro André Mendonça, um parecer favorável da PGR abriria espaço para que a defesa recorresse à Segunda Turma do Supremo em busca da validação definitiva da colaboração premiada.

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