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PP avalia neutralidade na disputa presidencial de 2026

Dirigentes do Progressistas discutem apoio condicionado a postura moderada de Flávio Bolsonaro e reforçam autonomia dos estados nas alianças eleitorais

Ciro Nogueira (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

247 - O Progressistas (PP) passou a considerar, internamente, a possibilidade de não se alinhar formalmente a nenhum candidato na eleição presidencial deste ano. A estratégia de neutralidade vem sendo debatida por dirigentes da legenda como alternativa diante das incertezas sobre o cenário nacional e, sobretudo, sobre o comportamento político dos principais pré-candidatos colocados no campo conservador. As informações são da CNN Brasil.

A decisão do PP estaria diretamente vinculada ao tom adotado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que é visto por setores da cúpula como um nome com potencial de aglutinar apoios. Dirigentes regionais afirmam que o partido só consideraria endossar uma eventual candidatura caso o parlamentar adote uma postura considerada mais moderada, sem radicalizações que possam comprometer acordos locais e alianças estaduais.

Apesar de reconhecerem uma inclinação da direção nacional em favor de Flávio Bolsonaro, lideranças do PP demonstram preocupação com a possibilidade de um discurso extremado. Avaliações internas apontam que uma guinada ideológica mais dura poderia gerar resistência em estados onde o partido mantém alianças diversas e pragmáticas, inclusive com forças políticas de campos opostos no plano nacional.

Dentro da legenda, há também uma convicção consolidada: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não deve entrar na disputa presidencial neste ano. Esse entendimento reduz o leque de opções do PP e reforça o debate sobre a conveniência de uma posição neutra, preservando a flexibilidade política da sigla.

Ao mesmo tempo, parlamentares do Nordeste exercem pressão para que o Progressistas apoie a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ainda assim, prevalece no partido a diretriz da autonomia estadual, permitindo que cada diretório decida seus próprios caminhos. 

Na Paraíba, por exemplo, estado do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), a tendência é que o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) dispute o governo estadual com apoio declarado de Lula. A expectativa é que o presidente participe de seu palanque, em uma movimentação que contrasta com a postura da direção nacional.

Cenários semelhantes se desenham em outros estados nordestinos, como Ceará e Pernambuco, onde o PP mantém diálogos e acordos distintos conforme a realidade local. A coexistência de alianças variadas em diferentes regiões é tratada como prática histórica do partido, que prioriza a sobrevivência e a força eleitoral nos estados.

O Progressistas integra uma federação partidária com o União Brasil, formando a chamada “União Progressista”. Nesse bloco, a ala governista tem ampliado espaço tanto no PP quanto no União. Esse movimento ganhou impulso após a escolha de Gustavo Feliciano por Lula para comandar o Ministério do Turismo, sinalizando maior aproximação institucional entre setores da federação e o governo federal.

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