Derrite prepara revisão do PL Antifacção e governo monta contraofensiva
Relator sinaliza alterações no texto após retorno à Câmara, e aliados do governo articulam estratégias contra revisões na proposta aprovada pelo Senado
247 - Nos bastidores do Congresso Nacional, integrantes do governo federal já começam a articular contramedidas diante das possíveis alterações que o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) quer implementar no Projeto de Lei Antifacção, que retornará à Câmara dos Deputados após passar por modificações no Senado Federal, relata o Metrópoles.
Segundo auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a equipe do Palácio do Planalto monitora atentamente o cenário, com lideranças governistas buscando evitar que a relatoria da proposta volte a ficar sob o comando de Derrite — visto como insatisfeito com a versão aprovada pelos senadores.
Derrite tem deixado claro que pretende revisar o conteúdo do texto antes de sua análise final no plenário da Câmara, o que tem acendido alertas entre aliados do governo federal e de forças de segurança pública.
No centro da discussão está justamente o papel do relator. Para membros do Executivo, a permanência de Derrite na relatoria pode impulsionar novamente, no debate público, a narrativa de que a oposição estaria tentando enfraquecer a Polícia Federal e “proteger” facções criminosas, enquanto o governo se apresenta como defensor de uma política mais rígida contra o crime organizado.
Assessores também avaliam que outra linha de argumentação poderá ganhar espaço nos discursos do governo: a de que mudanças propostas por aliados do de Jair Bolsonaro (PL) poderiam abrir brechas para influência de nações estrangeiras no Brasil, em analogia a episódios de ingerência externa em outros países.
O movimento de Derrite ocorre em um contexto de tensão sobre o conteúdo do PL Antifacção, que já foi alvo de diversas versões e críticas por parte tanto do governo quanto de especialistas e setores ligados à segurança pública. Em versões anteriores do relatório, foram apresentadas alternativas que ampliam penas para membros de facções e estabelecem mecanismos distintos de cooperação entre forças policiais, além de ajustes na destinação de bens apreendidos em investigações envolvendo organizações criminosas.
A proposta, que promete seguir como foco de intensos debates no retorno do Congresso ao trabalho após o recesso parlamentar, segue em análise enquanto aliados do governo avaliam estratégias para contrapor eventuais revisões que consideram desfavoráveis aos objetivos originais do projeto.
A tramitação do PL Antifacção segue como um dos temas mais observados na agenda de segurança pública, com reflexos tanto no ambiente legislativo quanto na estratégia comunicacional do Executivo.



