Presidente do PT dialoga com PP e União Brasil sobre alianças eleitorais
Reunião com Ciro Nogueira e Antonio Rueda discute cenários e sinaliza tentativa de distensão entre federação de centro e o entorno político de Lula
247 - O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reuniu-se com o senador Ciro Nogueira, que comanda o Progressistas (PP), e com Antonio Rueda, presidente do União Brasil, para discutir cenários regionais e possíveis composições políticas voltadas às eleições deste ano. O encontro ocorreu em janeiro e teve como foco principal a reorganização de palanques estaduais, em um momento de movimentos discretos para redefinir alianças no campo do centro político.
A conversa girou em torno de estados considerados estratégicos para a disputa eleitoral, especialmente no Nordeste. Segundo relatos de interlocutores, Pernambuco, Ceará e Maranhão estiveram no centro das discussões por concentrarem maior capacidade de articulação política do PT e apresentarem disputas locais fragmentadas, o que tende a exigir acordos cruzados entre legendas com alinhamentos distintos no plano nacional.
O diálogo ocorre em meio a uma tentativa de aproximação entre partidos de centro e o campo político liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de esforços do governo para buscar, ao menos, neutralidade dessas siglas na eleição presidencial. PP e União Brasil negociam a formação de uma federação partidária, ainda pendente de formalização no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cuja tendência, segundo lideranças envolvidas, é adiar qualquer definição nacional e liberar os filiados para alianças regionais conforme a conveniência local.
Apesar de a cúpula desses partidos ter anunciado, no ano passado, um rompimento com o governo petista e elevado o tom crítico ao Planalto, interlocutores avaliam que a reunião com Edinho Silva sinaliza uma tentativa de armistício. Tanto Ciro Nogueira quanto Antonio Rueda, que vinham adotando postura pública de confronto com Lula, reduziram recentemente as críticas diretas ao governo.
Aliados do presidente do PP minimizam o peso do encontro e afirmam que Ciro e Edinho mantêm uma relação pessoal antiga, com conversas frequentes. Ainda assim, a interlocução é observada com atenção no meio político, uma vez que o senador foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro e segue como uma das principais referências do campo de centro-direita no Congresso.
No caso do União Brasil, a participação de Rueda reflete a estratégia da legenda de ampliar sua margem de negociação nos estados. Um aliado cita o Ceará como exemplo desse movimento. Na semana passada, um jantar em Brasília reuniu Rueda, Ciro Nogueira, o ex-presidenciável Ciro Gomes e lideranças cearenses para discutir a possibilidade de apoio da federação a uma candidatura ao governo estadual. Segundo esse interlocutor, nenhuma decisão foi tomada, já que o PT também sinaliza espaço ao União Brasil na chapa majoritária local, como forma de atrair apoio.
Dirigentes petistas veem a rodada de diálogos como parte de um esforço mais amplo para evitar o isolamento do partido em colégios eleitorais estratégicos e conter uma adesão antecipada de partidos de centro ao campo bolsonarista. Avaliam ainda que, com a proximidade das eleições, conversas desse tipo tendem a se intensificar, com a orientação de manter canais abertos mesmo com lideranças que estiveram em lados opostos nos últimos anos, priorizando a construção de maiorias estaduais.


