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Preso, Bolsonaro prepara lista de candidatos que deve apoiar

Bolsonaro prepara lista de candidatos apoiados para conter disputas no PL e orientar o bolsonarismo nas eleições de outubro

O ex-presidente Jair Bolsonaro em sua casa em Brasília-DF, onde cumpre prisão domiciliar, enquanto aguarda a execução penal pela condenação por golpe de Estado - 29/09/2025 (Foto: REUTERS/Diego Herculano)
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247 - Jair Bolsonaro (PL) deve divulgar uma lista de candidatos apoiados para conter disputas no PL e orientar o bolsonarismo nas eleições de outubro, em um momento em que cumpre prisão domiciliar e está impedido de participar diretamente das campanhas de aliados, informa a Folha de São Paulo.

A iniciativa, segundo pessoas próximas a Bolsonaro, tem como objetivo indicar ao menos os pré-candidatos do PL ao Senado. A relação, porém, também pode incluir nomes para governos estaduais e até integrantes de outros partidos que tenham recebido o aval político do ex-presidente.

Até agora, o PL tem alianças em 22 estados, de acordo com a coordenação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No cenário de isolamento político de Bolsonaro, a lista é vista por aliados como uma ferramenta para organizar palanques, reduzir conflitos internos e definir quais nomes devem concentrar o apoio do eleitorado bolsonarista.

A estratégia busca delimitar as opções eleitorais do campo bolsonarista e evitar que pré-candidatos de oposição sem aval do clã se beneficiem da proximidade política com o ex-presidente. Um interlocutor de Bolsonaro chamou esses nomes de “caroneiros”.

Acordo no PL divide escolhas entre Bolsonaro e Valdemar

Um acordo firmado na cúpula do PL estabeleceu que Bolsonaro ficaria responsável por escolher os candidatos da sigla ao Senado. Já o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, definiria os nomes para os governos estaduais.

Esse processo começou durante a janela partidária, em março, e deve ser concluído apenas nas convenções, previstas para ocorrer entre julho e agosto.

Nas eleições de outubro, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, já que cada estado elegerá dois representantes. O objetivo de Bolsonaro é eleger até 35 senadores aliados e, somando esse grupo aos parlamentares que continuarão no meio do mandato, formar maioria para tentar avançar com pedidos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Prisão domiciliar reduziu articulação política

A condenação de Bolsonaro a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado dificultou sua atuação na articulação eleitoral de Flávio Bolsonaro e do PL. Até o fim de março, antes de passar pela prisão domiciliar, pela Polícia Federal e pela Papudinha, o ex-presidente ainda podia receber visitas de aliados e pré-candidatos interessados em obter seu apoio.

Nessas conversas, Bolsonaro discutia o cenário eleitoral de cada estado e sinalizava preferências sobre palanques e candidaturas. Depois de ser internado com pneumonia, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou que ele cumprisse pena em casa, mas sob maior isolamento.

Pelas regras atuais, Bolsonaro só pode manter contato com Michelle Bolsonaro, os filhos, médicos e advogados. Por isso, a lista de apoiados passou a ser tratada por aliados como uma forma de tornar pública a vontade política do ex-presidente em relação às eleições.

Carlos Bolsonaro sinaliza novidades sobre palanques

Depois de visitar Bolsonaro no último dia 16, Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, afirmou que conversou com o pai sobre articulações eleitorais. “Falamos bastante sobre política e também sobre nomes de possíveis senadores. Em breve teremos novidades”, publicou Carlos.

Em fevereiro, Carlos já havia dito que Bolsonaro elaboraria uma lista de candidatos apoiados. Santa Catarina é um dos estados em que a relação poderia ajudar a resolver disputas internas no bolsonarismo.

Inicialmente, o PL havia definido apoio a Carlos Bolsonaro e ao senador Esperidião Amin (PP-SC) para o Senado. Michelle Bolsonaro, no entanto, defendia a deputada Caroline de Toni (PL-SC) para a vaga e convenceu o marido a garantir espaço para sua aliada na legenda.

Mais recentemente, Michelle fez acenos a Esperidião Amin, em mais um sinal de tensão política envolvendo a ex-primeira-dama e os enteados.

São Paulo concentra principal disputa

A principal polêmica interna, porém, ocorre em São Paulo. No estado, o PL deve apoiar Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) para o Senado, enquanto Ricardo Salles (Novo) tenta se viabilizar por fora.

A escolha de André do Prado, nome preferido de Valdemar Costa Neto e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), teve aval do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que deixou de lado alternativas mais identificadas com a ala ideológica do bolsonarismo.

Por causa disso, Eduardo passou a explicar a decisão ao eleitorado bolsonarista, principalmente nas redes sociais. Nesse caso, uma lista de Bolsonaro endossando André do Prado é vista por auxiliares de Flávio como a principal aposta para reduzir críticas internas.

A decisão de Eduardo e Flávio não teve aval público do pai. O nome preferido de Bolsonaro para a vaga era o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL). A ausência de manifestação direta do ex-presidente alimentou críticas de que André do Prado representaria mais o centrão do que o bolsonarismo.

Ceará e Mato Grosso do Sul também têm impasses

No Ceará, o PL caminha para uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual. Para o Senado, os nomes cotados são Alcides Fernandes (PL) e Capitão Wagner (União Brasil).

Michelle Bolsonaro, porém, insiste para que a segunda candidatura ao Senado seja da vereadora Priscila Costa (PL), que enfrenta resistência na direção local do partido. Nesse cenário, a lista de Bolsonaro poderia servir para legitimar a pré-candidatura da vereadora.

No Mato Grosso do Sul, a orientação do ex-presidente também pode ser decisiva. Três nomes do PL disputam duas vagas ao Senado: Marcos Pollon, Capitão Contar e Reinaldo Azambuja.

Pollon conta com apoio de Michelle Bolsonaro e tem como trunfo um bilhete escrito por Bolsonaro. No texto, o ex-presidente afirma que ele é seu candidato por seu “caráter, honra e dedicação”.

Lista busca preservar comando político de Bolsonaro

A divulgação da lista é tratada no PL como uma tentativa de preservar a influência de Bolsonaro sobre o partido e sobre o campo bolsonarista, apesar das restrições impostas pela prisão domiciliar.

Ao mesmo tempo, o movimento pode reorganizar disputas que envolvem Valdemar Costa Neto, Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e lideranças estaduais do PL. A definição dos nomes deve ter impacto direto na montagem dos palanques e na estratégia do partido para ampliar sua bancada no Senado nas eleições de outubro.

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