Proposta de delação de Vorcaro deve ser entregue na semana que vem
Proposta de acordo com autoridades inclui dezenas de anexos e tentativa de ressarcimento bilionário, com negociação prevista para começar em breve
247 - A delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro deve ser apresentada às autoridades na próxima semana com uma proposta que inclui o pagamento de multas bilionárias e um amplo conjunto de provas documentais, informa a jornalista Malu gaspar, do jornal O Globo. O acordo, que ainda será negociado com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), pode abrir caminho para um processo acelerado de colaboração, caso haja consenso entre as partes.
A defesa de Vorcaro trabalha para concluir ainda neste fim de semana o material que será submetido aos investigadores. A proposta contará com dezenas de anexos e detalhará tanto os valores a serem devolvidos quanto os benefícios pleiteados pelo ex-banqueiro.
A estratégia dos advogados prevê a apresentação formal do pacote em uma reunião conjunta com autoridades já nos próximos dias. No cenário ideal da defesa, a análise do conteúdo ocorreria em até duas semanas, seguida de uma rápida homologação e início dos depoimentos em um prazo adicional de duas a três semanas.
Essa expectativa, no entanto, não é compartilhada por investigadores envolvidos no caso. Há dúvidas sobre a disposição de Vorcaro em revelar integralmente as informações desde o início, além de previsões de disputas em torno do montante financeiro a ser restituído e das condições do acordo.
Desde sua transferência, em 19 de março, para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, a defesa tem se dedicado à organização do material apreendido, especialmente dados de celulares já periciados. Uma força-tarefa formada por cerca de dez advogados, ligados aos escritórios de José Luís Oliveira Lima e Sergio Leonardo, foi mobilizada para estruturar documentos, reunir provas e sistematizar os relatos que serão apresentados.
Um dos principais entraves esperados nas negociações é o valor do patrimônio a ser devolvido. Investigadores apontam que Vorcaro precisará indicar a localização de recursos distribuídos em uma complexa rede de fundos de investimento no Brasil e no exterior. Estimativas indicam que mais de R$ 10 bilhões ainda estariam espalhados globalmente.
Fontes ligadas ao ex-banqueiro afirmam que ele teme que parte desses recursos já esteja sendo desviada por gestores responsáveis pelos fundos, o que teria motivado a pressa em firmar o acordo. A expectativa é que, ao revelar a localização dos ativos, as autoridades possam bloqueá-los, garantindo sua utilização no ressarcimento.
O caso envolve cifras expressivas. Apenas a fraude relacionada às carteiras de crédito vendidas ao BRB é estimada em R$ 12,2 bilhões. Além disso, há investigações sobre repasses de fundos de pensão estaduais e municipais, que podem elevar ainda mais os valores envolvidos.
Outro fator que complica o cenário é a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado. Os ativos da instituição estão sob responsabilidade do liquidante Eduardo Bianchini, que estima que ao menos R$ 4,8 bilhões já tenham sido desviados antes do processo.


