PSD aposta na direita “pós-bolsonarismo” e turbina articulações para as eleições
Partido de Gilberto Kassab filia Ronaldo Caiado e pode atrapalhar articulações do Clã Bolsonaro nas eleições presidenciais
247 - O PSD iniciou um movimento político que vem sendo interpretado como o mais significativo da centro-direita desde o lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciado no fim do ano passado por Jair Bolsonaro como seu nome para a sucessão presidencial. A estratégia do partido é se apresentar como uma alternativa sem vínculo direto com o bolsonarismo, apostando em lideranças que simbolizem um cenário de “pós-bolsonarismo” na disputa pelo Palácio do Planalto. As informações são da jornalista Andréia Sadi, do G1.
Esse redesenho passa pela formação de um trio composto pelos governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Pelo arranjo discutido internamente, um deles deverá emergir como cabeça de chapa em uma eventual candidatura presidencial, enquanto os demais atuariam na construção de alianças regionais.
A entrada de Caiado nesse grupo reforçou a leitura de que o PSD busca protagonismo nacional. O governador de Goiás afirmou que o acordo firmado com o presidente da legenda, Gilberto Kassab, prevê autonomia total para o escolhido montar seus palanques nos estados. “Se eu for o candidato, por exemplo, subo no palanque do Neto, na Bahia”, disse Caiado, ao comentar a flexibilidade nas alianças regionais.
Historicamente, Kassab sempre defendeu o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como herdeiro político de Jair Bolsonaro. No entanto, após o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, o PSD passou a considerar com mais força a possibilidade de lançar um nome próprio. Mesmo com Tarcísio aparecendo hoje como opção distante — já que sua entrada dependeria de um recuo do senador —, dirigentes avaliam que, caso o cenário mude até a consolidação das chapas, uma negociação com Kassab seria facilitada. Esse entendimento poderia incluir, por exemplo, a indicação de um vice na composição presidencial.
Há ainda um cenário em que o PSD poderia até abrir mão da disputa nacional. Essa hipótese é considerada viável porque Kassab mantém aliança com o governador paulista, que tem como objetivo principal a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Essa flexibilidade amplia o leque de negociações e mantém o partido como peça-chave no tabuleiro político.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro reagiu positivamente à movimentação do PSD. Ao blog, afirmou considerar a iniciativa “muito bom”. Ainda assim, aliados reconhecem que a eventual candidatura própria do partido pode dificultar a construção de alianças em torno do senador, especialmente em um campo político já fragmentado.
Dentro do PSD, a avaliação é de que a projeção de Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite tende a dividir o eleitorado de centro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca atrair. A leitura é que, em um eventual segundo turno, parte desse segmento poderia migrar para o petista. “Criou-se uma alternativa de nome que vai disputar o centro-direita”, afirmou Caiado.
Questionado sobre um possível alinhamento em um segundo turno, o governador goiano disse que não há acordos definidos até o momento, mas afastou qualquer possibilidade de apoio a Lula. “Eu não tenho como ir com Lula, por exemplo. Isso é uma ordem pessoal de cada um”, declarou.
No PT, dirigentes acompanham o movimento com atenção. A expectativa é tentar dialogar com a ala mais próxima ao lulismo dentro do PSD e negociar apoios regionais de forma pontual. Ainda assim, relatos iniciais indicam que um apoio formal ao presidente se torna mais complexo caso o debate nacional seja liderado por Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite, todos identificados por seus aliados como nomes de perfil claramente antipetista.


