Quaest: 45% defendem controle estatal sobre terras raras
Apenas 13% defendem que empresas privadas controlem os recursos
247 - A maior parte dos brasileiros defende que o governo federal tenha controle direto sobre a exploração das chamadas terras-raras e minerais críticos no país. É o que mostra pesquisa Genial/Quaest, em meio ao crescimento do debate sobre soberania mineral, transição energética e acordos internacionais envolvendo recursos estratégicos brasileiros.
Segundo o levantamento, 45% dos entrevistados afirmaram que a exploração desses minerais deve ficar exclusivamente sob responsabilidade do governo federal. Outros 31% defenderam uma gestão compartilhada entre Estado e empresas privadas, enquanto apenas 13% apoiam que o controle fique apenas nas mãos da iniciativa privada. Já 11% não souberam ou preferiram não responder.
O tema ganhou força nas últimas semanas após encontros entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de discussões sobre acordos envolvendo minerais estratégicos e o avanço do assunto no Congresso Nacional.
As terras-raras e os minerais críticos são considerados fundamentais para setores tecnológicos e para a transição energética global. Esses materiais são utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, chips, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.
Na terça-feira (19), Lula voltou a defender o controle nacional sobre esses recursos durante evento no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas (SP). O presidente ressaltou que o Brasil está aberto a parcerias internacionais, mas não abrirá mão da soberania sobre suas riquezas minerais.
“Aqui pode vir quem quiser, desde que tenha consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas. Vamos explorar aqui dentro”, declarou Lula.
A pesquisa também revelou que a maioria da população apoia que o processamento desses minerais aconteça dentro do próprio Brasil. Para 70% dos entrevistados, o país deve industrializar os recursos antes de exportá-los. Apenas 15% disseram preferir a venda dos minerais em estado bruto ao exterior. Outros 15% não souberam responder.
Apesar da relevância estratégica do tema, o levantamento mostra que a maior parte da população ainda desconhece o assunto. Segundo a Quaest, 65% dos brasileiros afirmaram não saber o que são terras-raras ou minerais críticos, enquanto 35% disseram ter conhecimento sobre o tema.
O debate político também apareceu na pesquisa após o então governador de Goiás, Ronaldo Caiado, firmar um acordo com os Estados Unidos para exploração de minerais críticos no estado. A Quaest perguntou quem deveria ter a palavra final nesse tipo de negociação.
Para 52% dos entrevistados, decisões sobre acordos envolvendo minerais estratégicos devem ser compartilhadas entre governos estaduais e federal. Já 27% acreditam que apenas o governo federal deveria decidir, enquanto 11% consideram que os estados podem negociar diretamente com outros países.
Quando questionados sobre os impactos dos acordos com os Estados Unidos, 43% afirmaram que as parcerias fortalecem o Brasil ao atrair investimentos e tecnologia. Em contrapartida, 27% enxergam riscos estratégicos e avaliam que os acordos podem aumentar a influência estrangeira sobre recursos considerados essenciais. Outros 19% disseram que os acordos não fortalecem nem enfraquecem o país.
A pesquisa também mediu a reação dos brasileiros ao embate político entre Lula e Caiado sobre o tema. Segundo o levantamento, 32% disseram concordar mais com Lula, enquanto 29% afirmaram concordar mais com Caiado. Outros 31% disseram não concordar com nenhum dos dois.



