Quem é quem no grupo “A Turma”, rede ligada a Daniel Vorcaro investigada por ataques e intimidação de opositores
Investigação da Polícia Federal aponta que grupo articulava monitoramento ilegal, coleta de informações sigilosas e ações de intimidação contra jornalistas
247 – A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que autorizou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4) revelou a existência de um grupo de mensagens no WhatsApp chamado informalmente de “A Turma”, apontado pela investigação da Polícia Federal (PF) como estrutura voltada à prática de atos ilícitos, incluindo ações de intimidação contra críticos do conglomerado financeiro Banco Master.
De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, a investigação descreve que o grupo atuava na obtenção de informações sigilosas e na articulação de medidas para constranger ou pressionar pessoas consideradas adversárias do banco, como concorrentes empresariais, ex-funcionários e jornalistas. Segundo a PF, diversas ações relatadas teriam “caráter violento”.
A apuração também identificou uma rede de colaboradores e intermediários que atuariam na coleta de dados, no monitoramento de alvos e na organização de pagamentos para a execução dessas atividades.
Daniel Vorcaro: apontado como líder da organização
Segundo a investigação da Polícia Federal, Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, exercia o papel central dentro da estrutura. Ele é descrito como líder da organização e responsável por emitir ordens diretas para a realização de ações intimidatórias.
Ainda de acordo com os investigadores, Vorcaro teria acesso antecipado a informações relacionadas a investigações e mantinha contato frequente com integrantes do grupo responsáveis pela operacionalização dos pagamentos ligados às atividades investigadas.
A decisão judicial menciona que o banqueiro teria coordenado as iniciativas voltadas à obtenção de dados sensíveis e ao monitoramento de pessoas consideradas ameaças aos interesses do banco.
Fabiano Campos Zettel: responsável por pagamentos e ações de coação
Outro nome apontado na investigação é Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, ele atuava na operacionalização dos pagamentos relacionados aos serviços de monitoramento e coleta de informações.
Zettel também é descrito como responsável por executar ações de coação e intimidação contra indivíduos vistos por Vorcaro como potenciais riscos à organização.
De acordo com os investigadores, sua atuação incluía viabilizar recursos financeiros para as atividades do grupo e participar da execução de ações voltadas à neutralização de críticos.
Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”: coordenador de operações de monitoramento
Um dos personagens centrais da investigação é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado no inquérito pelo apelido de “Sicário”.
Segundo a Polícia Federal, Mourão mantinha relação direta com Vorcaro e exercia papel estratégico na coordenação das atividades do grupo, incluindo a obtenção de informações sigilosas, o monitoramento de pessoas e a neutralização de situações consideradas sensíveis para o Banco Master.
A investigação aponta indícios de que ele receberia R$ 1 milhão por mês pelos serviços prestados, valor que seria posteriormente dividido com outros participantes do esquema.
Os investigadores também afirmam que Mourão teria realizado consultas e extrações de dados em sistemas de instituições públicas e organismos internacionais, como Polícia Federal, Ministério Público Federal, FBI e Interpol.
Marilson Roseno da Silva: ex-policial ligado à coleta de informações
Outro integrante identificado na estrutura é Marilson Roseno da Silva, descrito como policial aposentado.
Segundo a investigação, ele atuava na coleta e no compartilhamento de informações estratégicas, com o objetivo de antecipar ou neutralizar riscos relacionados a investigações policiais ou à atuação da imprensa.
A Polícia Federal afirma que sua participação era relevante na estrutura de monitoramento e na produção de dados que poderiam ser utilizados pelo grupo para reagir a possíveis ameaças institucionais.
Outros alvos da operação
Além dos integrantes diretamente ligados ao grupo “A Turma”, a operação também teve como alvo dois ex-servidores do Banco Central e outras pessoas apontadas como responsáveis pela organização de pagamentos ligados às atividades investigadas.
Entre eles está Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central. Segundo a investigação, ele mantinha interlocução com Vorcaro e atuava como um consultor informal do Banco Master, fornecendo orientações estratégicas e revisando minutas de documentos e comunicações institucionais destinadas ao próprio Banco Central.
A apuração também aponta que Souza participava de um grupo de mensagens com Vorcaro e Belline Santana, criado para facilitar a comunicação direta entre os envolvidos.
Consultoria informal e estrutura de pagamentos
Outro nome citado é Belline Santana, servidor afastado do Banco Central. De acordo com a investigação, ele teria prestado consultoria informal ao Banco Master, revisando documentos e participando de discussões sobre estratégias do banco diante do regulador.
A Polícia Federal afirma que Santana recebia pagamentos por meio da empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal Ltda.
O administrador dessa empresa, Leonardo Augusto Furtado Palhares, também foi citado na investigação como responsável por formalizar os pagamentos feitos a Santana.
Funcionária teria realizado transferências para o grupo
A investigação também menciona Ana Claudia Queiroz de Paiva, apontada como funcionária de Vorcaro.
Segundo os investigadores, ela teria realizado transferências financeiras destinadas a custear as atividades do grupo “A Turma”. Além disso, teria participado formalmente da estrutura ao integrar o quadro societário de uma empresa utilizada para operacionalizar movimentações financeiras ligadas ao esquema investigado.
Estrutura de monitoramento e intimidação sob investigação
A Polícia Federal sustenta que o grupo atuava de forma estruturada para obter informações sigilosas, monitorar pessoas e pressionar críticos do Banco Master, incluindo jornalistas, ex-funcionários e concorrentes empresariais.
A decisão judicial que autorizou a prisão de Daniel Vorcaro descreve o funcionamento dessa rede como uma organização voltada à prática de atos ilícitos, muitos deles associados à intimidação e à coleta irregular de dados.
As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer a extensão das atividades atribuídas ao grupo e o papel desempenhado por cada um dos envolvidos.


