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Reciprocidade: PF suspende acesso de segundo agente dos EUA no Brasil

Diferente de Michael Myers, o alvo da nova medida permanece no Brasil, e por isso teve sua identidade preservada

Andrei Rodrigues Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (Foto: Andressa Anholete)

247 - O governo brasileiro determinou a suspensão do acesso de um segundo funcionário dos Estados Unidos à Polícia Federal (PF), em meio a um contexto de medidas de reciprocidade adotadas pelo Itamaraty após tensões diplomáticas recentes entre os dois países.

A decisão foi confirmada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, após a informação ter sido inicialmente publicada pelo jornal Valor Econômico. De acordo com ele, dois casos distintos envolveram servidores norte-americanos com atuação no Brasil. “Um teve temporariamente o acesso cortado à PF por mim. Outro teve o visto cancelado e determinado seu retorno aos Estados Unidos pelo MRE”, afirmou o diretor em entrevista à GloboNews.

O segundo funcionário afetado, cuja identidade não foi revelada, permanece no Brasil, mas perdeu a autorização para acessar informações e estruturas da Polícia Federal. A medida segue a mesma linha adotada anteriormente contra Michael Myers, que deixou o país por determinação do Ministério das Relações Exteriores.

Apesar das restrições impostas, Andrei Rodrigues ressaltou que a cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área de segurança não foi interrompida. Segundo ele, a expectativa é de que o episódio seja tratado como pontual e que a troca de informações entre os dois países seja normalizada.

A crise diplomática teve origem na expulsão do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos. Em resposta, o governo brasileiro adotou medidas de reciprocidade, incluindo a saída de Myers, que atuava desde 2024 na troca de informações com a Polícia Federal.

Marcelo Ivo de Carvalho exercia a função de oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) e participou de ações relacionadas à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. O retorno do delegado ao Brasil foi determinado pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, sob alegações de tentativa de interferência em um processo de extradição.

O episódio ocorreu poucos dias após a detenção de Ramagem, ampliando a tensão entre os dois países e desencadeando uma série de decisões administrativas que impactaram diretamente a cooperação policial bilateral.

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