Após expulsão de delegado da PF, Brasil aplica reciprocidade e atinge 2 agentes dos EUA
Um dos agentes expulsos já deixou o país
247 - A decisão do governo brasileiro de aplicar o princípio da reciprocidade após a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo dos Estados Unidos já atingiu dois agentes norte-americanos em atuação no país. A medida foi implementada na quarta-feira (22) e ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.
Como parte da resposta, o Brasil determinou o retorno aos Estados Unidos de Michael Myers, agente ligado à agência de investigações de segurança interna (HSI), que estava lotado na Embaixada americana em Brasília desde setembro de 2024. A decisão partiu do Itamaraty e integra a reação oficial ao episódio envolvendo o delegado brasileiro.
Além dele, um segundo agente americano também foi alvo de medidas administrativas. O profissional, cuja identidade não foi divulgada, exercia funções de cooperação junto à Polícia Federal, equivalentes às desempenhadas por Marcelo Ivo nos Estados Unidos. Ainda na quarta-feira (22), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinou a retirada da credencial que permitia ao agente acesso às dependências da corporação.
O futuro desse segundo agente será discutido em reunião prevista para esta quinta-feira (23), entre Rodrigues e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Até o momento, não há indicação de que ele será expulso do país.
Entenda o caso
A crise diplomática teve início após o governo dos Estados Unidos determinar a saída de Marcelo Ivo, que atuava como oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), em Miami. As autoridades americanas alegaram que o delegado teria manipulado o pedido de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem.
O caso envolve a prisão de Ramagem nos Estados Unidos após uma infração de trânsito, quando foi identificado o uso de documentos falsos. Posteriormente, com o esclarecimento do pedido de asilo, a prisão foi revogada, e o ex-deputado passou a aguardar em liberdade a decisão sobre extradição ou concessão de refúgio.
Na ocasião, o governo brasileiro reforçou os esforços para que o pedido de extradição fosse aceito pelas autoridades americanas.


