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Relatório do BC aponta ciranda financeira de Vorcaro em banco que virou o Master

Documento aponta falta de comprovação da origem dos recursos usados na aquisição do Banco Máxima

Relatório do BC aponta ciranda financeira de Vorcaro em banco que virou o Master (Foto: Divulgação )

247 - A tentativa de aquisição do Banco Máxima, que posteriormente daria origem ao banco Master, foi marcada por indícios de ciranda financeira, segundo análise do Banco Central. O órgão apontou falhas na comprovação da origem dos recursos utilizados na operação e levantou dúvidas sobre a real entrada de capital externo no negócio. Os documentos detalham o processo que levou ao veto inicial da operação, em fevereiro de 2019. As informações são da Folha de São Paulo

Estrutura financeira sob questionamento

De acordo com o Banco Central, os recursos apresentados por Daniel Vorcaro para adquirir o controle do banco tiveram origem, em grande parte, na distribuição de resultados de empresas do próprio grupo, especialmente a Viking Participações. Esses valores estavam ligados à reavaliação de ativos, como terrenos e fundos de investimento.

A autoridade monetária identificou indícios de “circularização” de recursos, prática caracterizada pela movimentação de dinheiro entre empresas relacionadas, sem aporte efetivo de novos recursos no sistema. Parte dessas transferências envolveu o próprio Banco Máxima, companhias vinculadas ao controlador e fundos de investimento.

Falta de transparência na origem dos recursos

Durante o processo de análise, o Banco Central concluiu que não houve comprovação clara da origem dos valores utilizados. No voto apresentado, o então diretor Sidnei Corrêa Marques afirmou que "o Banco Máxima, presidido por Daniel Vorcaro, não apresentou qualquer documento ou informação que demonstre, de forma clara e inequívoca, a origem dos recursos utilizados na aquisição do controle e nos aumentos de capital da instituição"

O relatório também destacou fragilidades nos laudos que sustentavam a valorização de ativos das empresas envolvidas. Em alguns casos, foram registradas valorizações expressivas de imóveis, o que levantou dúvidas sobre a consistência dos cálculos apresentados.

Envolvimento de fundo imobiliário

Parte da estrutura financeira incluiu operações com o fundo Brazil Realty, que recebeu ações de empresas do grupo como forma de subscrição de cotas. O fundo é alvo de investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sob suspeita de práticas como superavaliação de ativos. Segundo os documentos, essas operações reforçaram os questionamentos sobre a liquidez e a efetiva origem dos recursos utilizados na tentativa de aquisição do banco.

Revisão da operação e aprovação posterior

Após a rejeição inicial, o grupo apresentou um novo plano de negócios e realizou aportes adicionais. Entre março e junho de 2019, foram investidos cerca de R$ 100 milhões no Banco Máxima, incluindo recursos de novos sócios.

Na nova análise, o Banco Central considerou que as exigências foram atendidas. O então diretor João Manoel Pinho de Mello registrou que "a origem dos recursos foi regularmente demonstrada por todos os novos acionistas, conforme avaliado pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro". Com base nessa reavaliação, a operação foi aprovada posteriormente pela diretoria colegiada do BC.

Impacto e consequências

Especialistas avaliam que a demora na solução do caso contribuiu para o aumento do risco ao sistema financeiro. O custo potencial para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cresceu ao longo do processo, saindo de valores iniciais e se aproximando de R$ 4 bilhões à época da aprovação.

Atualmente, as liquidações associadas ao conglomerado Master, nome adotado posteriormente, já somam mais de R$ 50 bilhões, ampliando o impacto sobre o sistema financeiro.

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