Resolução do PT projeta 2026 como disputa decisiva pela democracia
Documento da Executiva Nacional defende reeleição de Lula, critica extrema direita e condena ações externas lideradas pelos Estados Unidos
247 - A Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou, nesta quinta-feira (29), uma resolução política que define 2026 como um ano decisivo para o futuro da democracia brasileira e para a continuidade do projeto de desenvolvimento liderado pelo presidente Lula. O texto sustenta que a próxima disputa eleitoral vai além da escolha entre candidaturas e coloca em confronto dois projetos antagônicos de país: um democrático, popular e soberano, e outro autoritário, associado ao bolsonarismo e à extrema direita global.
Ao longo do documento, a direção partidária apresenta um balanço do atual governo, defende mudanças na política econômica, alerta para ameaças internas e externas à democracia e convoca a militância para uma ampla mobilização política com vistas às eleições de 2026.
No campo econômico e social, a resolução afirma que o governo Lula recolocou o Brasil na rota do crescimento com distribuição de renda, justiça social e responsabilidade fiscal. O texto aponta a saída do país do mapa da fome, o crescimento econômico acima de 3%, a queda do desemprego ao menor nível da série histórica, a recuperação da renda do trabalho e a redução da desigualdade. Também destaca o aumento real do salário mínimo e o controle da inflação. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e a maior progressividade tributária, com aumento da contribuição dos super-ricos, são apresentadas como avanços históricos na busca por justiça fiscal.
A Executiva Nacional defende ainda a necessidade de iniciar um processo de redução da taxa de juros. Segundo o texto, a queda dos juros permitiria economizar bilhões de reais em gastos públicos, com potencial de redirecionamento desses recursos para investimentos e estímulo adicional ao crescimento econômico.
No plano internacional, o documento sustenta que o Brasil retomou protagonismo global ao liderar agendas ambientais, reafirmar a soberania nacional e defender um mundo multipolar baseado na cooperação entre os povos. A realização da COP 30 na Amazônia e o destaque dado aos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais são citados como exemplos de um novo paradigma de desenvolvimento sustentável com justiça social projetado internacionalmente.
A resolução também aponta resistências a esse processo. O texto menciona a derrubada de vetos presidenciais à Lei do Licenciamento Ambiental, a ampliação do peso das emendas parlamentares no orçamento, a pressão do rentismo por juros elevados e escândalos financeiros que, segundo o documento, revelam relações promíscuas entre setores do mercado e o crime organizado. A atuação desregulada das grandes plataformas digitais na disseminação de desinformação e ódio político também é alvo de críticas.
No debate sobre segurança pública, a Executiva Nacional acusa a extrema direita de explorar o medo da população com discursos considerados irresponsáveis. O texto critica o uso do termo “narcoterrorismo”, classificado como uma narrativa importada do governo de Donald Trump, identificado como o presidente dos Estados Unidos. De acordo com a resolução, esse tipo de abordagem serve para justificar políticas de exceção, militarização permanente e ações que fragilizam a democracia, sem enfrentar de forma eficaz o crime organizado.
O cenário internacional recebe atenção especial. A resolução aponta uma intensificação das ações intervencionistas do governo de Donald Trump, associando esse movimento a uma crise econômica interna e à perda de hegemonia global dos Estados Unidos. O documento condena a intervenção militar na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores, classificando o episódio como uma das mais graves agressões internacionais ocorridas na América Latina neste século, com riscos diretos à estabilidade regional. Também manifesta preocupação com pressões envolvendo a Groenlândia e com o apoio irrestrito a campanhas militares do governo de Benjamin Netanyahu contra a Palestina, especialmente na Faixa de Gaza, apontando graves impactos humanitários.
A Executiva Nacional reafirma a defesa da autodeterminação dos povos, da soberania nacional, da paz e do multilateralismo. Nesse contexto, condena explicitamente a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e sustenta que conflitos internacionais devem ser resolvidos por meio do diálogo multilateral, em consonância com a tradição diplomática brasileira.
No âmbito interno, o PT defende o fortalecimento da Inteligência de Estado, sob controle democrático e constitucional, para enfrentar ameaças híbridas e ingerências externas que atentem contra a estabilidade institucional e os interesses nacionais. O texto também alerta para a conexão orgânica da extrema direita brasileira com redes internacionais de desinformação, manipulação algorítmica e financiamento transnacional, defendendo a regulação democrática das plataformas digitais como condição para a proteção da democracia.
A resolução sustenta que a eleição de 2026 terá caráter histórico e afirma que a reeleição do presidente Lula é estratégica para consolidar a democracia e derrotar o bolsonarismo, definido no documento como uma vertente brasileira do fascismo. Além da disputa presidencial, o texto enfatiza a necessidade de construir uma maioria democrática e popular no Congresso Nacional, com ampliação da representação de trabalhadores, mulheres, jovens, negros e pessoas LGBT.
O enfrentamento ao feminicídio, à violência contra as mulheres, ao racismo e à discriminação LGBTQIA+ é colocado como eixo central da agenda política do próximo período. Para a Executiva Nacional, a democracia brasileira não será plena enquanto persistirem formas estruturais de opressão e violência.
Por fim, o PT convoca seus diretórios, núcleos de base e militância a organizar um calendário nacional de mobilizações, articulando a defesa do governo Lula, o enfrentamento à extrema direita e a construção de um projeto nacional de desenvolvimento. O documento conclui que 2026 será o momento de reafirmar a escolha do Brasil pela democracia, pela justiça social e pela soberania nacional, com a reeleição de Lula, a formação de uma maioria parlamentar comprometida com esse projeto e a derrota do bolsonarismo como projeto de poder.


