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Seis meses após liquidação do Banco Master, cerca de 5 milhões de pessoas ainda podem solicitar ressarcimento

Cerca de R$ 2,2 bilhões ainda não foram resgatados por clientes e investidores junto ao Fundo Garantidor de Créditos

Agente da Polícia Federal, Banco Master e Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação I Reprodução)
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247 - Seis meses após a liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, cerca de R$ 2,2 bilhões ainda não foram resgatados por clientes e investidores junto ao Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. Segundo informações do G1, aproximadamente 5 milhões de pessoas ainda podem pedir o ressarcimento dos valores.

O Banco Master foi liquidado após o Banco Central identificar uma profunda crise de liquidez na instituição, ou seja, a falta de recursos suficientes para honrar compromissos financeiros. Ainda de acordo com o G1, o dono do banco, Daniel Vorcaro, está preso.

Entre os investidores afetados está o advogado Marcos Rafael Marinho Reis, que aplicou em títulos de renda fixa atraído pela rentabilidade oferecida pelo Master. Esse tipo de investimento costuma ser considerado de menor risco, mas, no caso do banco, o retorno acima da média acabou se mostrando insustentável.

“Eu investi lá exatamente porque tinha um rendimento aparentemente bom, mais alto que o mercado. E, na verdade, não se sustentou”, afirmou Marcos Rafael Marinho Reis.

Com a liquidação da instituição, clientes e investidores precisaram recorrer ao Fundo Garantidor de Créditos para recuperar o dinheiro, integralmente ou em parte. O FGC é formado por recursos dos maiores bancos brasileiros e atua para proteger investidores em situações de falência, intervenção ou liquidação de instituições financeiras.

O economista Mauro Rochlin, da FGV, explica que a função do fundo é garantir a proteção do pequeno investidor dentro do limite estabelecido.

“A garantia que o Fundo Garantidor de Créditos representa é a garantia de que o pequeno investidor, aquele que aplica até R$ 250 mil, tenha o seu dinheiro garantido”, afirmou Mauro Rochlin.

Até agora, quase R$ 40 bilhões já foram pagos em garantias a mais de 915 mil credores do Banco Master e de outras instituições ligadas ao grupo. Apesar do volume já liberado, o montante ainda não resgatado mostra que muitos beneficiários podem desconhecer o direito ao ressarcimento.

Para solicitar o dinheiro, o investidor deve baixar o aplicativo do FGC, cadastrar o CPF, realizar a biometria e informar os dados da conta bancária. O Fundo Garantidor de Créditos informou que clientes do Will Bank, instituição ligada ao Master, que têm menos de R$ 1 mil a receber devem fazer o pedido pelo aplicativo do próprio banco.

Marcos Rafael Marinho Reis conseguiu recuperar o valor investido ainda em janeiro. Ele tinha cerca de R$ 60 mil aplicados e relatou que o procedimento foi rápido após a liberação do acesso pelo aplicativo.

“Eu entrei pelo aplicativo, quando foi liberado, em janeiro, por volta do dia 19, e eu consegui rapidamente fazer os trâmites necessários e recuperar o dinheiro. Foram poucos dias”, disse o advogado.

A situação também reacendeu o alerta sobre investimentos que oferecem retornos muito acima da média do mercado. Para Mauro Rochlin, a alta rentabilidade prometida por instituições financeiras deve ser analisada com cautela, especialmente quando os ganhos parecem destoar do padrão oferecido por produtos semelhantes.

“Quando a gente vê taxas de retorno elevadíssimas, absurdas, e não é raro isso acontecer, é muito provável que algum risco muito agudo esteja associado a essa oportunidade. A rentabilidade é exagerada, desconfie”, afirmou o economista.

O caso do Banco Master se tornou um dos maiores episódios recentes de acionamento do Fundo Garantidor de Créditos no país, envolvendo centenas de milhares de credores já pagos e milhões de pessoas que ainda podem buscar o ressarcimento dos recursos.

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