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Tarcísio recua e cancela encontro com Bolsonaro no presídio da Papuda

Governador de São Paulo alega agenda no estado e decisão ocorre em meio a pressões políticas no campo bolsonarista

Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

247 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria na quinta-feira (22) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso na Papuda, em Brasília. O encontro estava previsto para ocorrer no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde Bolsonaro se encontra detido por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).Segundo reportagem do jornal O Globo, o comunicado oficial afirma que o cancelamento ocorreu por “cumprimento de compromissos” do governador em São Paulo. Uma nova data deverá ser solicitada, já que todas as visitas ao ex-presidente dependem de autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.

Apesar da justificativa formal, a mudança de planos ocorre em um cenário de pressão política sobre Tarcísio. Dentro da direita, o governador paulista passou a ser visto por aliados como um nome competitivo para disputar a Presidência da República contra o presidente Lula (PT). Esse movimento gerou desconfiança no núcleo bolsonarista, especialmente após Jair Bolsonaro estimular a candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como alternativa eleitoral.

Antes do cancelamento, Flávio Bolsonaro havia antecipado ao jornal O Globo quais seriam as mensagens do pai ao governador durante a visita. Segundo o senador: “Tarcísio vai ouvir da boca de Bolsonaro que está fazendo um grande trabalho como governador de São Paulo e que sua reeleição é fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT. Eleições presidenciais estão descartadas para ele”.

Diante das reações no bolsonarismo, Tarcísio tem reiterado publicamente, nas últimas semanas, que apoiará Flávio Bolsonaro. Além disso, o governador procurou ministros do STF para defender a possibilidade de prisão domiciliar para o ex-presidente. Aliados interpretam esse movimento como uma tentativa de manter um canal direto com a família Bolsonaro, que ainda exerce influência política, e preservar o vínculo com seu principal padrinho político em meio ao cenário criado pela prisão.

O pedido para a visita havia sido protocolado na segunda-feira pela defesa de Jair Bolsonaro, poucos dias após sua transferência para a unidade da Polícia Militar do Distrito Federal. Por decisão do Supremo, qualquer encontro com o ex-presidente depende de autorização expressa do relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes.

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