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Tempo de TV nas eleições intensifica disputa por alianças

Federação União Brasil-PP, PL e Federação PT-PCdoB-PV terão direito ao maior tempo de propaganda na TV

Urna eletrônica (Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

247 - A definição do tempo de TV nas eleições 2026 intensifica a disputa por alianças entre partidos e amplia o peso do Centrão na corrida presidencial. A distribuição do tempo de TV nas eleições 2026, baseada no tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados, aumenta a pressão sobre pré-candidatos que buscam maior visibilidade no rádio e na televisão. As informações são do G1.

O cálculo segue a legislação eleitoral, que determina que 90% do tempo de propaganda seja dividido proporcionalmente ao número de deputados federais, enquanto os outros 10% são distribuídos igualmente entre partidos que superaram a cláusula de desempenho.

Essa regra, também chamada de cláusula de barreira, exige que as legendas alcancem um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara ou elejam um número mínimo de deputados. O cumprimento desse critério garante acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda eleitoral.

Com base na atual composição da Câmara, a Federação União Progressista — formada por União Brasil e PP — lidera o tempo de exposição, com 2 minutos, 28 segundos e 19 centésimos, o equivalente a cerca de 20,78% do total de 12 minutos e 30 segundos destinados ao horário eleitoral gratuito.

Na sequência aparecem PL, Federação formada por PT, PCdoB e PV, MDB, PSD e Republicanos. O PL, por exemplo, terá cerca de 2 minutos e 14 segundos, enquanto a federação liderada pelo PT contará com pouco menos de 2 minutos. MDB e PSD aparecem empatados, com aproximadamente 59 segundos cada.

O levantamento foi realizado pelo cientista político Henrique Cardoso Oliveira, da Fundação 1º de Maio, considerando as bancadas eleitas em 2022. O estudo excluiu o partido Novo, que não atingiu a cláusula de desempenho naquele pleito, e não contabilizou inserções ao longo da programação, focando apenas no horário eleitoral gratuito.

A legislação prevê ainda que esse tempo vale apenas para o primeiro turno das eleições. Em eventual segundo turno, os candidatos passam a ter igualdade na divisão do tempo de propaganda.

O cenário atual indica que apenas três partidos terão direito ao tempo de TV para lançar candidatos à Presidência: PT, PSD e PL. Outras legendas que apresentaram pré-candidatos, como Novo, DC e Missão, não alcançaram a cláusula de barreira e, portanto, não terão acesso ao espaço de propaganda.

Diante desse quadro, o apoio de partidos do Centrão ganha ainda mais relevância estratégica. Como essas siglas concentram grandes bancadas, alianças podem ampliar significativamente o tempo de exposição dos candidatos.

Um exemplo é a possibilidade de aliança envolvendo o PL e partidos como União Brasil-PP e Republicanos. Nesse cenário, o tempo de propaganda poderia ultrapassar cinco minutos, mais que dobrando o espaço inicial da legenda.

Já no campo governista, a tendência é que partidos do Centrão não integrem a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, a Federação Brasil da Esperança pode ampliar sua presença no rádio e na TV com o apoio de siglas de esquerda, como PSB, PDT e a federação PSOL-Rede. Com essas alianças, o tempo de propaganda poderia saltar de cerca de 2 minutos para mais de 3 minutos.

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