Toffoli critica “inércia” da PF em operação do caso Master
Agentes da corporação rebatem alegando que aguardavam definições judiciais: “passamos meses esperando essa operação”
247 - O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou insatisfação com a demora da Polícia Federal no cumprimento de medidas cautelares determinadas contra o banqueiro Daniel Vorcaro, familiares e pessoas ligadas ao grupo Master. Na avaliação do magistrado, a lentidão pode comprometer a efetividade das providências e abrir espaço para a descaracterização de provas relevantes.
Segundo a decisão, Toffoli afirmou que a atuação da Polícia Federal ficou aquém do esperado, mesmo após a concessão de prazo considerado suficiente para planejamento e execução das ordens judiciais.
Em despacho, o ministro foi direto ao apontar o problema e registrou, em tom crítico, os riscos decorrentes da demora. “Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, escreveu Toffoli.
Após a repercussão das críticas, investigadores da Polícia Federal ouvidos pelo jornal O Globo reagiram às declarações do magistrado e negaram qualquer paralisação deliberada da operação. De acordo com fontes que acompanham de perto o inquérito, a corporação aguardava definições judiciais para avançar com a nova etapa das diligências.
“Pelo contrário, passamos meses esperando essa operação”, afirmou uma fonte da Polícia Federal, em declaração literal ao jornal, ao rebater a acusação de suposta “inércia” no andamento das investigações.
Na mesma decisão, Toffoli autorizou a prisão preventiva de Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de mandados de busca e apreensão contra os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur. Mesmo assim, o ministro reiterou a avaliação de que houve “falta de empenho” da Polícia Federal ao longo do inquérito, posição que passou a ser contestada internamente pela corporação diante da complexidade do caso e das autorizações judiciais envolvidas.


