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Valdemar defende mulher como vice de Flávio e diz que Braga Netto foi erro

Presidente do PL afirma que chapa de 2022 “não dava um voto” e tenta pavimentar unidade da direita para 2026, apostando em perfil “equilibrado” do senador

Flávio Bolsonaro - 19 de dezembro de 2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 – O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (23), durante um evento empresarial em São Paulo, que a escolha do general Braga Netto como vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2022 foi um “erro” e defendeu que uma mulher componha como vice a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de outubro de 2026. As declarações foram publicadas pela Sputnik Brasil.

Na fala, Valdemar sustenta que a decisão tomada em 2022 teria custado votos decisivos e diz ter tentado convencer Bolsonaro a mudar o nome do vice, citando a ex-ministra e senadora Tereza Cristina (PP-MS) como alternativa. Ao mesmo tempo, ele procura diferenciar Flávio do pai, afirmando que o senador não teria os “destemperos” atribuídos ao ex-presidente e poderia fazer “um governo melhor”.

Valdemar chama Braga Netto de “homem do bem”, mas diz que escolha não agregou votos

O dirigente do PL descreveu Braga Netto de forma elogiosa, mas argumentou que o então vice não somava eleitoralmente e, por isso, teria contribuído para a derrota daquele ano. Em seguida, atribuiu a decisão final à insistência de Bolsonaro.

"O Bolsonaro quis pôr como vice-presidente o Braga Netto, que é um homem do bem, um homem decente, um homem correto, mas que não dava um voto para ele. Insisti com ele, falei 'olha as pesquisas como nós estamos, Bolsonaro, põe a Tereza Cristina [PP-MS]', mas o Bolsonaro teimoso, disse 'não quero saber, meu vice é o Braga Netto'. E foi um erro que cometemos, porque nós perdemos a eleição", disse Valdemar.

A declaração revela um esforço para recontar a engenharia política de 2022 sob a ótica de 2026: transformar uma derrota em “lição” e, ao mesmo tempo, reorganizar responsabilidades internas, numa disputa de narrativa típica de ciclos eleitorais.

Mulher na vice para evitar “perder os votos que nós perdemos no passado”

Valdemar defendeu que uma mulher deveria ter sido vice de Bolsonaro em 2022 e afirmou que essa estratégia deve ser aplicada agora em 2026, na candidatura de Flávio. O argumento central é o de evitar perdas em estados onde a disputa pode ser apertada.

"Não podemos perder votos no Ceará, nós não podemos perder votos no Mato Grosso, nós não podemos perder votos aonde nós pudermos ter, porque a diferença vai ser pequena, não vai ser grande", declarou.

Na prática, o discurso aponta para uma lógica de maximização eleitoral: reduzir rejeição, ampliar alcance e evitar que diferenças pequenas em regiões específicas definam o resultado nacional. Ao sugerir uma vice mulher, Valdemar tenta sinalizar correções de rota e maior capacidade de agregar setores hoje distantes do bolsonarismo.

“Flávio não tem os destemperos do pai”, diz Valdemar

Além de discutir a composição de chapa, Valdemar buscou promover Flávio como alternativa “mais equilibrada” e com maior preparo. A comparação com o pai foi direta.

"Quando a gente vê as atitudes do Bolsonaro, o trabalho do Bolsonaro, a gente via que ele tinha uns destemperos que o Flávio não tem. O Flávio é muito equilibrado, preparado, tem carisma e tem tudo pra fazer um governo melhor que o pai."

Flávio: Ao tentar vender um perfil menos conflitivo, Valdemar sugere uma continuidade política com outra forma de condução. Trata-se de um discurso calculado para dialogar com eleitores que rejeitam instabilidade, mas ainda orbitam o campo conservador.

Unidade da direita para “blindar” o segundo turno

Valdemar também afirmou que a direita deve se unir para evitar que outro candidato dispute o segundo turno com o senador do PL, sinalizando uma tentativa de desestimular fragmentação interna e consolidar desde cedo um nome único no campo conservador.

A fala funciona como recado de articulação: fechar fileiras, construir alianças e ajustar a chapa para ampliar competitividade. Mais do que apresentar um programa, Valdemar desenha uma tática: corrigir erros de 2022, reduzir perdas regionais e organizar o bloco da direita em torno de Flávio, com uma vice mulher, para chegar fortalecido a uma eleição em que, segundo ele, “a diferença vai ser pequena”.

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