HOME > Brasil

"Você acha que me conformei, algum dia, com a venda da BR Distribuidora?", questiona Lula em evento da Petrobras

Em Camaçari, presidente defendeu recomposição da Petrobras e disse que o Brasil precisa recuperar instrumentos estratégicos

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia alusiva à ampliação da capacidade operacional da Refinaria Abreu e Lima (RNEST). Refinaria Abreu e Lima – Ipojuca (PE) (Foto: Ricardo Stuckert)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou nesta quinta-feira (14) a venda de ativos da Petrobras em governos anteriores e defendeu que a estatal volte a ter maior capacidade de atuação em áreas estratégicas, como refino, distribuição de combustíveis e fertilizantes. A declaração foi feita durante evento na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, que marcou a retomada da produção da unidade.

 A Fafen-BA voltou a operar em janeiro, após investimento de R$ 100 milhões, já funciona com 90% de sua capacidade total e atende 5% da demanda nacional por fertilizantes. No discurso, Lula usou a reativação da fábrica como exemplo da importância de preservar estruturas produtivas ligadas à companhia.

Ao criticar a venda de partes da estatal, Lula afirmou que houve uma tentativa de enfraquecer a Petrobras por meio da alienação de ativos. “Eles sempre tentaram privatizar a Petrobras e com medo de não ser aprovado no Congresso, eles resolveram vender pedaços da Petrobras”, disse.

O presidente citou a venda da BR Distribuidora como um dos pontos centrais de sua crítica. Segundo ele, a operação retirou da Petrobras a possibilidade de influenciar diretamente a distribuição de combustíveis no país.

“Você acha que eu me conformei algum dia com a venda da BR? Por que vender a BR? Ou seja, ao vender a BR, eles tiraram da Petrobras o direito de influir nos preços, na distribuição”, afirmou Lula.

Na sequência, o presidente disse acreditar que a Petrobras pode voltar a ter uma distribuidora. “Eu tenho certeza que se a gente tiver no ritmo que a gente dá, e se vocês tiverem a vontade política, a gente vai ter uma distribuidora de gasolina outra vez”, declarou.

Lula também afirmou que o nome BR manteve força mesmo após a privatização. “A BR era tão importante que os caras que compraram não quiseram tirar o nome da BR. É privada, mas com o nome da Petrobras”, disse. “A Petrobras é nossa. A BR deveria ser nossa, não é, mas o nome é nosso. O nome não foi vendido.”

O presidente também comentou a venda de refinarias e afirmou que o governo tem interesse em recuperar ativos, mas apenas por valores considerados adequados. “A gente quer comprar, mas pelo preço que a gente acha que é justo e não pelo preço de quem quer vender”, afirmou.

Durante o discurso, Lula relacionou a venda de ativos à perda de instrumentos de política econômica e industrial. Para ele, empresas como a Petrobras devem cumprir papel estratégico no desenvolvimento nacional, na geração de empregos e no fortalecimento da produção interna.

O presidente ampliou a crítica ao citar outros processos de privatização, como o da Eletrobras. Lula contestou o argumento de que empresas privadas sejam necessariamente mais eficientes do que empresas públicas e afirmou que o problema está na visão de governo. “Quando eu não sei governar, eu começo a vender as coisas. Quando eu não sei governar, eu começo a dizer que é ineficiente”, afirmou.

No evento, Lula também vinculou a retomada da Fafen-BA à necessidade de reduzir a dependência externa do Brasil em fertilizantes. A unidade tem capacidade para produzir 1.300 toneladas diárias de ureia, 1.300 toneladas diárias de amônia e 178 toneladas diárias de Agente Redutor Líquido Automotivo, o ARLA 32.

“O Brasil é um país agrícola. O Brasil é o segundo maior produtor de alimento, teoria que é o terceiro. E o Brasil precisa de fertilizante. E o Brasil não pode ser importador de 90% do fertilizante que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir os fertilizantes”, disse Lula.

Ao defender a reconstrução da capacidade produtiva nacional, o presidente também mencionou a indústria naval e criticou a opção de comprar no exterior equipamentos que poderiam ser produzidos no Brasil. Segundo ele, a produção interna pode gerar tecnologia, emprego qualificado, salários e desenvolvimento.

“Produzir aqui poderia ser um pouco mais caro, é verdade. Mas a gente estaria trazendo para cá conhecimento tecnológico, a gente estaria trazendo para cá mão de obra qualificada, a gente estaria trazendo para cá pagamento de salário, a gente estaria trazendo desenvolvimento interno para que o Brasil pudesse competir”, afirmou.

Artigos Relacionados