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Vorcaro muda versão e cita propina a Ciro em proposta de delação

Ex-banqueiro passou a tratar pagamentos ao senador como tentativa de cooptação, mas PF vê poucos avanços na nova proposta

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira (Foto: Reprodução | Agência Brasil )
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247 – O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mudou sua versão sobre pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) na segunda proposta de colaboração premiada e passou a tratá-los como propina, segundo pessoas que acompanham as negociações. As informações são do jornal O Estado de São Paulo

Na primeira tentativa de delação, rejeitada pela Polícia Federal (PF), Vorcaro afirmava que havia bancado benefícios a Ciro, como viagens e festas, por causa de sua “relação de amizade” com o senador, sem pedir contrapartida. Agora, após nova fase da Operação Compliance Zero, o banqueiro passou a narrar os repasses como uma tentativa de cooptação para defesa de seus interesses.

A primeira proposta havia sido conduzida pelo advogado José Luís de Oliveira Lima, que deixou a defesa depois da rejeição do acordo pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A nova rodada passou a ser coordenada pelo advogado Sérgio Leonardo, após cerca de 15 dias de trabalho.

A segunda proposta de Vorcaro endureceu a descrição de fatos criminosos, trouxe alterações de versão e incluiu informações que não constavam no primeiro material apresentado aos investigadores. Entre os pontos novos, o banqueiro entregou detalhes sobre supostas irregularidades na captação de recursos de regimes de previdência municipais e estaduais para o Banco Master.

PF vê poucos avanços

A PF e a PGR analisam a nova proposta de colaboração, mas investigadores avaliam que o material ainda não traz avanço relevante diante do volume de provas já extraído do celular de Vorcaro. Por isso, a tendência na PF é rejeitar o acordo. A PGR ainda conclui a avaliação.

A mudança de versão sobre Ciro Nogueira ocorreu depois que a PF deflagrou fase da Operação Compliance Zero que apontou suspeita de pagamento de uma mesada de R$ 300 mil a uma empresa ligada ao parlamentar. Segundo a investigação, essa suposta mesada teria relação com benefícios ao Banco Master em propostas que tramitavam no Congresso Nacional.

Depois da operação, Ciro Nogueira negou ter apresentado projeto para beneficiar diretamente o Banco Master e também negou irregularidades nos pagamentos. Procurado por meio de sua assessoria, o senador ainda não havia se manifestado sobre a nova versão de Vorcaro.

Defesa aguarda resposta formal

Até o momento, a defesa do banqueiro não recebeu comunicação formal sobre rejeição ou continuidade das tratativas. A expectativa é que a PF e a PGR deem uma resposta ainda nesta semana.

Caso os investigadores recusem a proposta, a PF deve pedir a transferência de Vorcaro de volta a um presídio. Desde março, o banqueiro permanece em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília para preparar o acordo com seus advogados.

As idas e vindas da negociação desgastaram a relação entre a defesa de Vorcaro e a PF, além de colocar em dúvida sua permanência na superintendência.

Relação com Ciro entrou no radar

Ciro Nogueira aparece entre os políticos que mantiveram conexão com Vorcaro. O senador participou de eventos patrocinados pelo Master no exterior, apoiou negociações com o BRB e defendeu interesses do banqueiro no Congresso.

Em mensagens com sua ex-noiva, Martha Graeff, Vorcaro chamou Ciro de “um dos grandes amigos de vida”. Em maio de 2024, o banqueiro enviou uma foto a Martha, que perguntou: “Quem é esse outro com você? Não conheço, né?”. Vorcaro respondeu: “Ciro nogueira (sic). É um senador. Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida.”.

As conversas citam Ciro ao menos dez vezes de forma explícita. Em uma delas, Vorcaro e Martha combinam a ida ao casamento da filha do senador, Duda Nogueira, em 3 de agosto de 2024, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Emenda Master

A ida ao casamento ocorreu dez dias antes de Ciro apresentar a chamada Emenda Master, proposta para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para R$ 1 milhão por CPF e por instituição financeira, acima dos atuais R$ 250 mil.

Esse valor seria pago a cada correntista em caso de dificuldades ou eventual quebra da instituição bancária. Políticos e integrantes do mercado financeiro identificaram a proposta como uma das primeiras iniciativas com potencial de favorecer o Banco Master no Congresso.

Os títulos cobertos pelo FGC formavam a base principal do modelo de negócios do Master. Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro afirmou que esse modelo era “100% baseado no FGC”.

O banco vendia CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com rentabilidade acima da média dos grandes bancos para atrair investidores, mas demonstrou não ter capacidade de honrar esses pagamentos, que contavam com garantia do fundo. O relator da PEC, senador Plínio Valério (PSDB-AM), não acolheu a emenda. 

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