Vorcaro nega ajuda política e afirma que tornozeleira e prisão são provas de ausência de influência
Em depoimento à Polícia Federal, dono do Banco Master rebate acusações de influência e relacionamentos políticos que teriam protegido seus negócios
247 - Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal no final de dezembro de 2025 no inquérito que investiga supostas fraudes financeiras ligadas à instituição. Os vídeos das oitivas foram tornados públicos após decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que levantou o sigilo dessas partes da investigação.
Durante o interrogatório conduzido pela delegada Janaina Palazzo, Vorcaro foi questionado sobre sua suposta influência política e relações com autoridades públicas no contexto da tentativa de venda de ativos do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não teria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, afirmou Vorcaro em um dos momentos mais contundentes do depoimento.
O banqueiro negou explicitamente que tenha solicitado apoio de políticos para favorecer seus interesses ou para interferir junto ao Banco Central (BC) na tentativa de concretizar a venda do Master ao BRB, negociação que acabou frustrada quando a autoridade monetária rejeitou a operação por considerar que havia risco ao Sistema Financeiro Nacional.
Vorcaro também comentou que, apesar das alegações de relações políticas influentes, suas negociações com o BRB foram conduzidas “tecnicamente dentro do Banco Central”, reforçando sua versão de que não houve facilitação ou favorecimento por meio de contatos políticos. Além disso, o empresário confirmou que teve encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), ressaltando, entretanto, que essas conversas foram motivadas por sua posição de controlador indireto do BRB e não com o objetivo de influenciar decisões oficiais.
O depoimento de Vorcaro também incluiu outras negativas importantes: ele se recusou a fornecer a senha de seu celular para acesso dos investigadores, alegando que pretendia preservar “relações pessoais e privadas” e reiterou sua posição de que não cometeu fraudes na gestão do banco.
Nos autos, o contexto das acusações envolve a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar supostas práticas irregulares no Banco Master, que enfrentava uma grave crise de liquidez. A liquidação extrajudicial da instituição foi decretada pelo Banco Central, e Vorcaro chegou a ser preso preventivamente antes de a prisão ser convertida em domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica.
O inquérito, que tramita no STF devido à possível participação de autoridades com foro privilegiado, continua sob sigilo, com outros depoimentos e diligências complementares aguardando avanços.
Caso a Procuradoria-Geral da República (PGR) denuncie os envolvidos, o processo pode evoluir para uma ação penal no Supremo, onde serão analisadas as acusações e defesas apresentadas no âmbito das investigações sobre o sistema financeiro.


