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BC vê erro grave do BRB em créditos do Banco Master

O depoimento foi colhido após determinação do ministro Dias Toffoli na investigação sobre fraudes financeiras

Ailton Aquino dos Santos e Banco Central (Foto: Reprodução | ABr)

247 - O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que houve falha de governança no Banco de Brasília (BRB) ao não identificar irregularidades nos créditos do Banco Master que foram transferidos à instituição pública. As declarações constam em depoimento prestado à Polícia Federal e foram publicadas nesta quinta-feira (29) pelo jornal O Globo.

O depoimento foi colhido após determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações que apuram possíveis irregularidades envolvendo a cessão de créditos do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, ao BRB. Aquino afirmou que, do ponto de vista técnico, a estrutura de governança do BRB tinha condições de identificar eventuais fraudes relacionadas aos créditos adquiridos.

 “Como auditor de carreira, aplicando técnicas, eu tenho certeza de que a governança do BRB deveria ter identificado (as fraudes). Não tenho dúvidas disso. É possível a identificação da existência ou não dos créditos. (É uma) falha na governança do BRB, tanto que o time da supervisão inquiriu muito o BRB em vários ofícios de auditoria acerca da aquisição dos créditos”, declarou ao ser questionado pela Polícia Federal.

Conforme o dirigente,  o volume elevado de créditos transferidos do Banco Master ao BRB chamou a atenção dos órgãos de supervisão, especialmente porque a instituição privada já enfrentava dificuldades financeiras relevantes naquele período. Segundo ele, a situação de liquidez do banco de Vorcaro era um fator central para o alerta.

“Ele (o banco Master) não tinha mais ativos líquidos para fazer face às suas obrigações. A pergunta central é como alguém que não tem liquidez poderia gerar tanto crédito para ceder ao BRB? É uma pergunta de lógica. Isso levanta um alerta”, afirmou Aquino no depoimento.

Ainda de acordo com o diretor de Fiscalização do Banco Central, a crise financeira do Banco Master já era conhecida no sistema de supervisão bancária. “A crise de liquidez do Master era muito clara. Ele já tinha ingressado, como a gente gosta de dizer, no compulsório, e tem um processo administrativo em curso pela não cobertura do compulsório”, acrescentou.

As declarações reforçam a linha de investigação que apura a responsabilidade de gestores e a atuação dos mecanismos de controle interno do BRB na operação envolvendo a aquisição de créditos do Banco Master, tema que segue sob análise da Polícia Federal e do STF. 

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