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“Zema terá que responder por seus atos”, diz Lindbergh

Deputado critica ataques de Zema ao STF e reage a editorial da Folha sobre atuação da Corte

Lindbergh Farias (Foto: Kayo Magalhães/Agência Câmara)

247 - O deputado federal Lindbergh Farias criticou duramente o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), em meio à escalada de tensões entre o político e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorre após a divulgação de novos vídeos satíricos por Zema nas redes sociais, nos quais integrantes da Corte são retratados de forma crítica e caricatural.

Ao comentar o cenário, Lindbergh contestou a avaliação de editorial da Folha de São Paulo e saiu em defesa da atuação do STF. “O editorial da Folha de hoje erra ao rotular como ‘perseguição’ a legítima defesa do STF diante de ataques que ultrapassam a crítica política e buscam corroer a legitimidade da Justiça”, afirmou.

Segundo o parlamentar, os episódios recentes devem ser compreendidos em um contexto mais amplo de tensão institucional no país. “Parece que o jornal ainda não entendeu que o 8 de Janeiro não foi o capítulo final, mas uma etapa de uma tentativa de golpe continuado contra as instituições democráticas, agora acompanhada de um momento inédito no Brasil de traidores da Pátria que agem contra o próprio país, reivindicando sanções, tarifas, ingerência estrangeira e até a entrega da Amazônia e das terras raras, protagonizada pela família Bolsonaro e seus aliados”, declarou.

A polêmica se intensificou após Zema publicar um novo vídeo da série “Os Intocáveis”, no qual ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes são representados como fantoches em uma encenação satírica. No conteúdo, são simulados diálogos que sugerem uma tentativa de censura ao ex-governador, além de críticas pessoais e comentários sobre sua imagem.

O material foi divulgado em meio a um embate público entre Zema e Gilmar Mendes. O ministro do STF chegou a afirmar que há uma “indústria de difamação” contra a Corte e solicitou a inclusão do ex-governador no inquérito das fake news, conduzido por Moraes. Na notícia-crime, Gilmar sustenta que os vídeos ferem sua honra e comprometem a credibilidade do tribunal ao simular falas inexistentes.

Lindbergh também abordou os limites da liberdade de expressão diante desse tipo de conteúdo. “A liberdade de expressão protege a crítica opinativa, dura ou satírica, inclusive contra autoridades públicas, mas exige responsabilidade quando vira ataque à honra, difamação política e campanha permanente de desmoralização”, afirmou.

Ele citou ainda episódios anteriores para ilustrar o que considera um padrão de ataques ao Judiciário. “Essa violência ganhou forma concreta em escrachos contra ministros nas ruas, ataques virtuais em massa, ameaças, campanhas de destruição reputacional e até plano de assassinato de ministro. Em 2016, manifestantes foram à residência de do ministro Teori Zavascki para intimidá-lo por decisões judiciais. Atualmente, a ministra Cármen Lúcia denuncia ataques misóginos permanentes. Todos os ministros são alvos de ataques virtuais cotidianos”, disse.

O deputado também mencionou instrumentos jurídicos utilizados em outros países para proteger a integridade das instituições judiciais. “Na tradição anglo-saxã, nascida na Inglaterra e desenvolvida também nos Estados Unidos, o conceito de contempt of court permite reagir a condutas que afrontam a legitimidade da administração da Justiça que visam enfraquecer o Judiciário. Nesse contexto, o Inquérito das Fake News (INQ 4.781) foi e ainda é essencial para enfrentar redes organizadas de desinformação, intimidação e agressão contra o Supremo, o sistema eleitoral e a democracia”, declarou.

Ao final, Lindbergh reforçou críticas diretas ao ex-governador mineiro e sua atuação política. “Isso não significa proteger o STF de críticas nem impedir reformas no Judiciário. Flávio Dino acerta ao defender propostas concretas de punição dura à corrupção judicial, com afastamento após denúncia recebida, perda de cargo após condenação e penas mais altas. Portanto, Zema não está acima da lei por ser ex-governador ou pré-candidato. É baixo, oportunista e sem projeto de país: quer destruir a CLT, desmontar o Estado e se viabilizar politicamente atacando os Poderes da República. Ele terá que responder por seus atos”, concluiu.

 

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