Comentário: Revisão das estratégias de segurança do Japão é um sinal perigoso de remilitarização
O PLD pretende utilizar a "proteção da pátria" como pretexto para justificar a expansão militar
CGTN – O Partido Liberal Democrático (PLD), partido no poder no Japão, realizou recentemente uma reunião do conselho geral e aprovou uma proposta preliminar para revisar os três documentos relacionados à segurança nacional, a ser submetida ao governo. O gesto representa mais uma escalada radical na estratégia de segurança japonesa, depois da atualização dos documentos referidos em 2022, que anunciou a mudança de postura defensiva para uma ofensiva.
O PLD pretende utilizar a "proteção da pátria" como pretexto para justificar a expansão militar, flexibilizando amplamente as restrições relacionadas a armamentos, orçamentos e mobilização, com o objetivo de acelerar o ritmo do fortalecimento militar do Japão. Tudo isso demonstra que o princípio japonês do pós-guerra sobre a "defesa exclusivamente defensiva" está agora obsoleto e que o "novo militarismo" se tornará uma ameaça real para a região e para o mundo todo.
Os três documentos de segurança do Japão correspondem à Estratégia de Segurança Nacional, à Estratégia de Defesa Nacional e ao Plano de Expansão das Forças de Defesa a Médio Prazo. Em contraste com a versão de 2022, a nova proposta do PLD se concentra inteiramente na preparação para a guerra a longo prazo e na intervenção proativa, buscando incorporar profundamente a expansão e o preparo militar ao sistema nacional, à economia, à indústria e à opinião pública, impulsionando, assim, a política de segurança do Japão em uma direção ainda mais ofensiva e expansionista.
Um exemplo disso é o orçamento de defesa. Embora a proposta não especifique valores concretos, exige financiamento suficiente para a "transformação das forças de defesa em cinco anos" e lista as metas de crescimento dos gastos com defesa dos países membros da OTAN e da Austrália, sugerindo que o próprio gasto em defesa pode estar se aproximando da faixa de 3% a 3,5% do PIB.
Na verdade, o Japão já tinha afirmado que havia alcançado a meta de 2% de gastos com defesa como percentual do PIB dois anos antes do previsto, no ano fiscal de 2025. O orçamento nessa área para o ano fiscal de 2026 ultrapassou 9 trilhões de ienes, e a meta total para os anos fiscais de 2023 a 2027 atingiu a impressionante marca de 43 trilhões de ienes. É evidente que o aumento dos gastos militares do Japão se tornou a norma.
Em termos de implantação militar regional, o Japão tem expandido constantemente o seu alcance, alterando significativamente seu perímetro de defesa. Sem fundamentos, o projeto de lei até acusa e difama as atividades militares normais da China, com o intuito de exagerar as tensões na região e assim enganar o público japonês e a comunidade internacional, criando um pretexto para acelerar a remilitarização.
No que diz respeito à política nuclear, o projeto de lei não menciona a possível revisão dos Três Princípios Não Nucleares, no entanto, afirma explicitamente que vai defender ainda mais a dissuasão nuclear dos EUA como seu princípio fundamental. Trata-se de uma forma de preparar o terreno para um futuro envolvimento na área nuclear, revelando uma mentalidade flagrantemente oportunista e propensa a correr riscos.
Essas mudanças demonstram claramente que o Japão está tentando se livrar completamente do regime pacifista do pós-guerra. Desde a negação do seu histórico de agressão na Segunda Guerra Mundial e os resultados dos julgamentos de Tóquio, atéo aumento dos gastos militares e a flexibilização das restrições à exportação de armas letais, as autoridades japonesas vêm acelerando a recuperação do seu militarismo. Em particular, essa prática de exagerar ameaças externas, intensificar uma crise existencial e usar a "vontade de defesa" para impulsionar o fortalecimento militar é muito semelhante à trajetória de agressão do militarismo japonês antes da Segunda Guerra Mundial. Diante disso, a comunidade internacional precisa estar extremamente vigilante!
Fonte: CMG
