4º Fórum de Tiradentes debateu o futuro do audiovisual na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes
4º Fórum de Tiradentes e a Carta de Tiradentes 2026 reuniram recomendações dos Grupos de Trabalho e apontaram caminhos para o futuro do audiovisual
Por Andrea Trus (247) - O 4º Fórum de Tiradentes, realizado como parte da programação da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, reuniu representantes de diferentes setores do audiovisual brasileiro para discutir políticas públicas, diagnósticos e recomendações estratégicas para o setor. Na Plenária Final, realizada em 29 de janeiro de 2026, os coordenadores fizeram um balanço do trabalho desenvolvido ao longo do Fórum, consolidando quatro anos de debates e estudos coletivos.
O evento contou com a participação de mais de 70 profissionais especializados, organizados em Grupos de Trabalho (GTs) que abordaram diferentes dimensões do setor audiovisual: formação de profissionais, produção de conteúdos, distribuição e circulação de obras, exibição e difusão, preservação do patrimônio audiovisual e integração de observatórios e dados do setor. Cada GT sistematizou diagnósticos, identificou pontos transversais e elaborou recomendações que alimentaram a construção da Carta de Tiradentes 2026, documento que consolidou as proposições do Fórum e orientou futuras políticas culturais.
Neste ano, a discussão se intensificou com o avanço dos serviços de Video on Demand (VOD) e a tramitação do PL 2331/22, que regulamenta streaming no Brasil e exige a contribuição das plataformas ao setor audiovisual. Críticos alertam que a lei, embora busque fortalecer o setor, pode gerar retrocessos, por não proteger totalmente a produção independente e a diversidade cultural.
Apesar de ainda estar longe do ideal, os debates do Fórum destacaram caminhos estratégicos e práticos para orientar decisões políticas imediatas e futuras, incluindo a necessidade de aperfeiçoar a legislação de VOD e reforçar mecanismos de apoio ao setor.
Na coletiva do Fórum, em resposta ao site Brasil 247, Raquel Hallak, diretora geral e coordenadora da Universo Produção, ressaltou a importância do trabalho coletivo: “O Fórum envolveu mais de 70 profissionais distribuídos em grupos de trabalho, cobrindo todas as áreas do audiovisual. Cada GT sistematizou diagnósticos, identificou pontos transversais e definiu diretrizes que foram compiladas em uma publicação com registro ISBN, a ser lançada em São Paulo como parte da programação da Mostra Tiradentes SPD, de 12 a 18 de março, em parceria com o Sesc São Paulo. Foi uma construção coletiva, realizada tanto presencialmente quanto online, que trouxe propostas concretas e realizáveis, desde o curto até o longo prazo, incluindo a perspectiva de criação de um Sistema Nacional de Produção Audiovisual”, afirmou, acrescentando que a implementação dessas recomendações depende de vontade política.
A publicação que sistematizou todo o conteúdo do Fórum tornou públicas as contribuições dos GTs e serviu como instrumento de referência para a formulação de políticas estruturantes do setor. A plenária final funcionou como um espaço de debate e reflexão, cujo resultado será levado ao Ministério da Cultura, a parlamentares do Congresso Nacional e a outros atores do setor audiovisual, com o objetivo de influenciar a definição de políticas públicas que respondam aos desafios atuais e futuros da indústria brasileira de cinema e vídeo sob demanda.


