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Billie Eilish dispara contra Trump no Grammy: "ninguém é ilegal numa terra roubada"

Billie Eilish e Bad Bunny transformam discursos de premiação em manifestações contra ações do governo dos Estados Unidos

Billie Eilish (Foto: Reuters/Mario Anzuoni)

247 - A cerimônia do Grammy deste domingo (1º), em Los Angeles, foi marcada por manifestações políticas em defesa dos imigrantes. Ao receber o prêmio de música do ano por “Wildflower”, Billie Eilish aproveitou o momento para se posicionar contra as políticas migratórias adotadas pelo governo Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e reforçou a importância da mobilização social. A artista seguiu uma linha semelhante à adotada minutos antes por Bad Bunny, que também levou o tema ao palco da principal premiação da música mundial.

Em seu discurso, Billie Eilish fez uma declaração direta em apoio à comunidade imigrante. “Honestamente, ninguém é ilegal numa terra roubada”, afirmou a cantora ao segurar o troféu. Em seguida, ela destacou o papel da mobilização coletiva e da expressão artística. “Eu sinto esperança nessa sala. A gente precisa continuar a se manifestar. Nossas vozes são importantes. Pessoas são importantes”, disse a artista, sob aplausos da plateia.

Pouco antes, Bad Bunny já havia usado o microfone do Grammy para criticar a política anti-imigração do governo Trump. Ao receber o prêmio de melhor álbum de música urbana, o cantor iniciou sua fala com um agradecimento e, na sequência, fez uma referência direta ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos. “Antes de dizer obrigado, eu quero agradecer a Deus e quero dizer fora ICE”, declarou, mencionando o órgão que tem sido alvo de críticas pelas operações contra imigrantes.

Em um discurso mais longo, o artista porto-riquenho reforçou a humanidade das pessoas atingidas pelas ações migratórias. “Não somos selvagens, animais ou alienígenas. Somos seres humanos e somos americanos”, afirmou. Bad Bunny também defendeu a empatia como resposta ao preconceito. “O ódio acaba se tornando mais poderoso quando você se prende a ele. A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor. Precisamos ser diferentes. Se lutarmos, precisamos lutar com amor”, completou.

Durante a cerimônia, o apresentador Trevor Noah também interagiu com o cantor em tom bem-humorado. Ao comentar que Bad Bunny, um dos favoritos da noite, não poderia se apresentar no evento por causa de um contrato relacionado ao show do intervalo do Super Bowl, Noah brincou: “Se as coisas piorarem, posso me proteger com você em Porto Rico?”. O músico respondeu prontamente: “Você sabe que Porto Rico também faz parte dos Estados Unidos, certo?”.

Considerado o prêmio mais importante da indústria musical, o Grammy reúne neste ano artistas de grande destaque. O rapper Kendrick Lamar lidera a lista de indicações, com nove no total, seguido por nomes como Lady Gaga e o próprio Bad Bunny, indicado pelo álbum “Debí Tirar Más Fotos”. A cerimônia também contou com apresentações de Sabrina Carpenter, concorrendo com “Man’s Best Friend”, Justin Bieber, com o disco “Swag”, e Lady Gaga, que apresentou “Abracadabra”, indicada a gravação e canção do ano.

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