HOME > Cultura

Estados Unidos se tornaram um destino inseguro, diz Brian May, do Queen

Guitarrista afirma que clima de violência e políticas migratórias afastam artistas e levam músicos a repensar turnês no país

Brian May (Foto: Denis Pellerin/Handout via Reuters)

247 - O guitarrista Brian May, integrante da banda britânica Queen, afirmou que não considera se apresentar nos Estados Unidos neste momento por avaliar que o país vive um período de insegurança. Segundo ele, a percepção de risco tem feito com que artistas pensem duas vezes antes de incluir o território americano em suas turnês, apesar da forte ligação histórica do grupo com o público local. A declaração foi dada em entrevista ao tabloide britânico Daily Mail.

“É muito triste porque sinto que o Queen cresceu na América e nós adoramos isso, mas não é mais o que era. Todo mundo está pensando duas vezes antes de ir para lá”, afirmou Brian May. O músico não citou episódios específicos, mas seu comentário ocorre em meio a uma sequência de protestos nos Estados Unidos contra operações do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândegas americano, e denúncias de violência envolvendo agentes federais e o próprio governo do país.

Um dos casos mais recentes ocorreu no dia 24, durante manifestações em Minneapolis, no estado de Minnesota, contra ações do governo americano. Alex Pretti, de 37 anos, morreu após ser baleado em uma abordagem de funcionários federais durante uma operação anti-imigração. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o homem estava armado, mas vídeos divulgados na internet e verificados por veículos como o The New York Times indicam que Pretti carregava apenas um celular.

O episódio aconteceu semanas depois da morte de Renee Nicole Good, também baleada por um agente do ICE em Minneapolis. Além desses casos, dados apontam que mais de 400 pessoas foram mortas em tiroteios em massa apenas no ano passado, reforçando o cenário de violência que tem repercutido internacionalmente.

As declarações de Brian May se somam a uma série de cancelamentos de turnês por outros artistas. O músico britânico Piri anunciou no início da semana que não seguirá com apresentações nos Estados Unidos em razão do que, segundo ele, “está acontecendo no país agora”. Em 2025, o pianista húngaro András Schiff também cancelou compromissos no território americano, citando as “mudanças políticas sem precedentes” como justificativa.

No ano passado, o cantor Bad Bunny optou por não incluir os Estados Unidos na turnê “Debí Tirar Más Fotos”. Entre os motivos apresentados, o artista mencionou o receio de que latinos presentes nos shows pudessem ser deportados. A decisão ocorreu em meio ao cancelamento de diversos eventos ligados à cultura latina, motivados pelo temor de represálias do ICE e pelo endurecimento das políticas anti-imigração desde o início do atual mandato de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Após o anúncio de que Bad Bunny será a atração do show do intervalo do próximo Super Bowl, Donald Trump declarou que a escolha era “rídicula” e afirmou que agentes do ICE estarão presentes no evento. A reação reforçou as tensões em torno da política migratória e de segurança que têm impactado o setor cultural.

Atualmente, o Queen está em hiato de turnês desde o encerramento da “Rhapsody Tour”, realizada entre 2019 e 2024, com Adam Lambert nos vocais. A banda, eternizada pela voz de Freddie Mercury, morto em 1991, construiu uma trajetória de sucesso nos Estados Unidos, com álbuns entre os mais vendidos e canções inspiradas no rock’n’roll americano, um vínculo que, segundo Brian May, hoje se encontra profundamente abalado.

Artigos Relacionados