Livro 'Guiné' é uma investigação visual e literária sobre a morte, o branco e a ancestralidade
Lançamento de obra criada sob o impacto da pandemia acontece em Belo Horizonte e une literatura e artes visuais
247 - O livro Guiné, da artista visual Sara Lambranho e do escritor Tom Nóbrega, será lançado sábado (28) na Livraria Jenipapo, em Belo Horizonte, reunindo literatura e artes visuais para explorar a morte, a ancestralidade e os ciclos da vida. A obra funciona como um espaço de criação conjunta em que texto e imagem dialogam para meditar sobre o luto e a transformação humana, animal e vegetal.
Criado sob o impacto da pandemia de Covid-19, momento de luto coletivo, Guiné se inspira na cosmologia Bantu e no candomblé Angola para ressignificar a morte. O título remete tanto à região africana quanto à erva de proteção, evocando passagem e espiritualidade. A narrativa se desenrola em uma cidade africana e é influenciada por itãs, relatos míticos da tradição iorubá, explorando nascimento, queda e renascimento.
A dimensão simbólica do branco
A obra utiliza o branco como cor central, reinterpretando-o como espaço de presença, purificação e recomeço. "No candomblé, o uso das vestimentas brancas e a pintura de elementos circulares brancos no corpo dos iniciados — em reverência à galinha-d'angola — sinalizam o contato com essa dimensão ancestral. Por isso, o vazio da página é o espaço para o novo ciclo", explica Sara Lambranho. Os desenhos em nanquim e guache capturam o movimento de transformação, refletindo a passagem contínua entre a vida e a morte, entre humanos, animais e plantas.
A morte, segundo os autores, não aparece como ruptura, mas como trânsito. "A morte não é ruptura, mas passagem: um trânsito que reinscreve a energia de quem partiu no território. Visualmente, busquei construir imagens em que a queda atravessa diferentes esferas da vida na cidade — humanos, plantas e animais", afirma Sara. As hachuras em nanquim criam ritmo e movimento, conectando os seres em uma relação permanente.
Imagem e palavra
O texto poético de Tom Nóbrega e a visualidade de Sara Lambranho não se explicam mutuamente, mas se complementam, estabelecendo uma dança entre palavra e traço. Enquanto o texto aborda memória e corpo-história, os desenhos ampliam o sentido das palavras, mostrando figuras em constante transformação — o animal que vira planta, o humano que se torna bicho. A obra reforça a ideia de que os seres fazem parte de ciclos maiores, em conexão permanente com a natureza.
Lançamento: data, horário e local
A designer e ilustradora Sara Lambranho e o filósofo e poeta Tom Nóbrega, autores de Guiné (Relicário), participam do encontro de lançamento do livro no sábado (28), a partir das 11h, na Livraria Jenipapo, localizada na Rua Fernandes Tourinho, 241, Savassi, em Belo Horizonte. Na ocasião, os autores conversam com Paulo Nazareth, Gisella Nogueira e Benjamin Abras sobre o processo de criação da obra e os temas que atravessam o livro.


