Novo plano do governo Lula quer ampliar leitores no Brasil para 55% até 2036
Plano nacional aposta na democratização do acesso, redução do custo dos livros e expansão de bibliotecas para fortalecer educação e cidadania
247 – O Brasil dá um novo passo estratégico para ampliar o acesso à leitura e fortalecer a formação cultural da população com a criação do novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) para o período de 2026 a 2036. A iniciativa, assinada nesta quinta-feira (23) pelo presidente Lula em conjunto com os ministérios da Cultura e da Educação, estabelece como meta elevar o percentual de leitores no país de 47% para 55% da população até 2035.
A informação foi divulgada pela Agência Gov, com base em dados do Ministério da Cultura, destacando que o plano busca democratizar o acesso ao livro e consolidar a leitura como um direito fundamental e um instrumento de soberania nacional.
Novo ciclo reforça política de Estado para a leitura
A assinatura da portaria interministerial marca a renovação de uma política pública iniciada em 2006, durante o primeiro governo do presidente Lula. Desde então, o PNLL se consolidou como uma política de Estado voltada à promoção da leitura, envolvendo educadores, escritores, bibliotecários e a sociedade civil.
O novo ciclo de dez anos pretende aprofundar essa trajetória, transformando o livro, a leitura e a escrita em bens essenciais para a população brasileira. A proposta vai além da alfabetização funcional, ao tratar a leitura como elemento central para a construção de pensamento crítico, cidadania e democracia.
Essa abordagem dialoga com estudos recentes sobre o papel da leitura no desenvolvimento humano. Pesquisas em neurociência indicam que a chamada “leitura profunda” ativa áreas do cérebro ligadas à empatia, análise crítica e raciocínio complexo, reforçando sua importância na formação intelectual e social dos indivíduos .
Metas ambiciosas e foco na inclusão
Entre os principais objetivos do PNLL está a ampliação do acesso ao livro em todo o território nacional. Para isso, o plano aposta em medidas como:
- Redução do custo dos livros
- Expansão de livrarias no interior do país
- Fortalecimento do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas
- Ampliação de acervos acessíveis (braille, libras e audiolivros)
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou o caráter estratégico da política:
“Com o novo PNLL, estamos fortalecendo nosso Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas para que ele se nutra de acervos que respeitem e promovam nossa imensa bibliodiversidade. Nosso compromisso é garantir que o livro chegue a cada canto do país, reafirmando a leitura como um pilar de soberania e de combate às desigualdades”.
Ela também enfatizou o papel da leitura na defesa da democracia e na formação cidadã:
“O PNLL é uma realidade ativada pela sociedade e pelos governos. O livro e a leitura são vacinas contra a desinformação e contra a deterioração intelectual que o consumo superficial de conteúdos digitais pode causar”.
Resultados já observados e impacto social
O histórico do PNLL demonstra impactos concretos no país. Desde sua criação, o Brasil conseguiu praticamente eliminar o déficit de municípios sem bibliotecas públicas, transformando esses espaços em centros de convivência, inovação e educação continuada.
Além disso, houve avanço significativo nos hábitos de leitura da população. O índice médio anual passou de 1,8 livro por habitante para cerca de 4,7 livros nos períodos de maior mobilização do programa.
O novo ciclo busca consolidar esses avanços e ampliar ainda mais o alcance da leitura, especialmente em regiões periféricas, comunidades indígenas e quilombolas.
Quatro eixos estratégicos e inovação
O PNLL 2026–2036 está estruturado em quatro eixos principais:
- Democratização do acesso
- Fomento à leitura e formação de mediadores
- Valorização institucional da leitura
- Desenvolvimento da economia do livro
Uma das principais inovações é o reconhecimento da escrita criativa como um direito, incentivando a população a produzir cultura, e não apenas consumi-la.
O secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, ressaltou o papel estratégico do plano:
“O PNLL é a nossa bússola estratégica. Ele estabelece diretrizes que nos permitem ocupar as praças, as escolas e as bibliotecas com uma agenda que coloca o livro na ‘cesta básica’ do brasileiro”.
Ele também destacou a importância da mobilização social:
“Precisamos tornar a leitura visível na agenda política e social, pois estaremos fadados ao fracasso econômico se não ampliarmos o domínio da escrita entre nossos cidadãos”.
Leitura como instrumento de soberania e desenvolvimento
O novo PNLL reforça uma visão mais ampla da leitura como elemento estruturante do desenvolvimento nacional. Ao estimular o pensamento crítico, a produção cultural e o acesso ao conhecimento, o plano se posiciona como ferramenta essencial para enfrentar desigualdades sociais e fortalecer a democracia.
Em um contexto global marcado pela sobrecarga de informação e pela superficialidade digital, especialistas apontam que o estímulo à leitura consistente é decisivo para preservar a capacidade de reflexão e análise da sociedade.
Com metas claras e ações estruturadas, o Brasil aposta, mais uma vez, no poder transformador dos livros para construir um futuro mais justo, informado e soberano.

