Rosalía surpreende público com participação em show solidário pela Palestina (vídeo)
Cantora catalã aparece sem aviso, interpreta “Perla” e encerra noite marcada por música, homenagens e atos em apoio ao povo palestino
247 - Barcelona viveu uma noite de forte mobilização cultural e política durante o concerto solidário em apoio à Palestina, realizado na quinta-feira (29) no Palau Sant Jordi. Com ingressos esgotados, o espaço reuniu milhares de pessoas para acompanhar apresentações de nomes como Amaia, Bad Gyal, Oques Grasses, Lluís Llach e Fermín Muguruza, em um evento que coroou uma campanha internacional de arrecadação de fundos e denúncia da situação enfrentada pela população palestina, segundo o jornal El País.
O momento mais impactante da noite veio no encerramento, quando Rosalía subiu inesperadamente ao palco e interpretou um de seus temas mais populares do momento, “Perla”. A participação da artista catalã não havia sido anunciada oficialmente, embora rumores circulassem após a divulgação de imagens suas em Barcelona. A surpresa levou o público à euforia e deu um tom simbólico ao desfecho da iniciativa internacional coordenada pela plataforma Act X Palestine.
Antes do concerto, a organização prestou homenagem a Hind Rajab, menina palestina de cinco anos morta em Gaza há dois anos, cujo caso comoveu a opinião pública internacional. O tributo integrou uma série de atividades realizadas ao longo do dia na capital catalã, reforçando o caráter político e humanitário do evento musical, concebido desde o início como um grande manifesto de solidariedade ao povo palestino.
O Palau Sant Jordi também recebeu, antes dos shows, encontros e conversas com personalidades ligadas ao tema, como o intérprete e fixer gazatí Kayed Hammad, em diálogo com o ator Eduard Fernández, além do técnico de futebol Pep Guardiola. Desde as primeiras apresentações, o público respondeu com entusiasmo ao repertório, que incluiu ainda artistas como Yeray Cortés, Morad, Guillem Gisbert e Mushka.
Paralelamente, durante a tarde, a praia de Barcelona foi palco de um ato simbólico em memória de Hind Rajab. Cerca de 200 pessoas participaram de uma ação organizada pela organização social Avaaz, que incluiu o estendimento de uma lona de aproximadamente mil metros quadrados com o retrato da criança, além da presença de sua mãe, Wesam Hamada. O objetivo, segundo os organizadores, foi exigir proteção à infância palestina e cobrar responsabilização internacional.
Durante o ato, manifestantes entoaram palavras de ordem como “Gaza não está sozinha” e “Boicote a Israel”, ao som de música palestina. Ativistas sustentaram por quase uma hora a lona, de cerca de 50 metros de comprimento por 20 de largura, voltada para o Mediterrâneo. “Escolhemos Barcelona porque é uma cidade representativa, que historicamente sempre esteve ao lado do povo palestino. Além disso, Hind adorava o mar e o Mediterrâneo, e queremos lançar uma mensagem para o outro lado”, afirmou Patricia López, porta-voz da Avaaz.
López ressaltou que a homenagem não se limitava à memória da menina. “Estamos falhando com o restante das crianças palestinas. Não soubemos responder ao pedido de Hind há dois anos. Supostamente estamos sob um cessar-fogo que sabemos que não está acontecendo”, declarou.
Um dos momentos mais emocionantes ocorreu quando Wesam Hamada recitou um poema em inglês, posteriormente traduzido para o catalão, no qual agradeceu o apoio recebido e destacou o significado da filha. “Ela não era apenas uma menina, era um testemunho”, disse. Em seguida, completou: “Não estou aqui para fazer um discurso, sou a voz das pessoas que não podem gritar. Sou representante de todo o povo palestino”.
O ato contou ainda com a participação do cirurgião traumatologista britânico Graeme Groom, que atuou em mais de 40 missões em Gaza. “Não podemos esquecer das outras vítimas que ainda estão em Gaza”, alertou. Ele descreveu cenas de múltiplos corpos e a persistência da escassez de recursos básicos. “Agora estamos em um suposto cessar-fogo, mas continuam faltando médicos, comida e todo tipo de recurso essencial”, afirmou. Segundo Groom, a esperança é que as crianças possam retomar uma vida cotidiana normal: “Queremos que a rotina delas seja marcada pelo barulho da saída da escola, e não pelo das bombas”.
O encerramento ficou por conta de Alex, um menino de oito anos, que subiu ao palco para deixar uma mensagem direta aos adultos presentes: “Não deixem de falar da Palestina, das crianças e das meninas de Gaza. A diferença entre elas e eu é que vivemos em países diferentes”.


