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André Esteves minimiza peso das eleições de 2026 e vê Brasil atraente em Davos

Banqueiro do BTG diz que investidores não estão “esperando outubro” e aposta em IPOs, queda de juros e boom de data centers no país

André Esteves (Foto: Reuters)

247 – O banqueiro André Esteves, sócio sênior e presidente do conselho do BTG Pactual, afirmou em Davos, na Suíça, que não percebe o mundo acompanhando com apreensão as eleições brasileiras de 2026. A declaração foi dada durante encontros na Brazil House, espaço criado pela iniciativa privada para reuniões com investidores e debates ligados a negócios no Fórum Econômico Mundial. As informações foram publicadas pelo Valor Econômico.

A fala de Esteves ocorreu na Brazil House, iniciativa patrocinada por empresas como BTG, Be8, Gerdau, Randoncorp e Vale, criada no ano passado para ampliar a presença empresarial brasileira em Davos. No diagnóstico do banqueiro, o Brasil segue atraente para investidores estrangeiros em setores relevantes da economia, o que poderia gerar efeitos positivos para o mercado de capitais.

Segundo Esteves, a disputa eleitoral não aparece como fator decisivo para o investimento de longo prazo no país. "Eu não vejo, do ponto de vista de investimento de longo prazo, a eleição sendo um grande tema, não", disse ele no evento, ao relatar conversas com investidores estrangeiros.

Favoritismo de Lula

Embora tenha evitado falar sobre possíveis candidaturas da direita e sobre o potencial de polarização das urnas em outubro de 2026, Esteves afirmou que o quadro da corrida presidencial deve ficar mais claro em poucos meses. Ainda assim, relatou não perceber, nas conversas com investidores, uma postura de “espera” em relação ao pleito. "Eu não tenho ouvido [de investidores] sobre decidir [sobre investimentos] depois das eleições."

O tema eleitoral aparece no pano de fundo do debate porque o Brasil entra em um ano que antecede a disputa presidencial. A matéria cita a primeira pesquisa Genial/Quaest do ano, divulgada na semana passada, segundo a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição, manteve a liderança na corrida presidencial, nos dois turnos.

De acordo com o levantamento mencionado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), lançado como pré-candidato com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), consolidou-se na oposição e tem o maior percentual de intenção de voto entre os adversários de Lula. Em um eventual segundo turno, no entanto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é quem apresenta uma diferença menor em relação ao presidente.

Aberturas de capital

No campo econômico, Esteves disse estar otimista com a retomada das aberturas de capital em 2026. Roberto Sallouti, CEO do BTG, descreveu o que chamou de caminho mais provável para a reanimação do mercado: primeiro operações de “block trade” (compra de ações em bloco), depois “follow-ons” (oferta secundária de ações) e, na sequência, potenciais IPOs.

O fundador do BTG reforçou que esse ambiente pode se beneficiar do patamar elevado da bolsa e da expectativa de redução da taxa básica de juros a partir deste ano. Sallouti acrescentou que há empresas que já vêm se preparando para abrir capital nos últimos meses, sinalizando que parte do mercado estaria se posicionando para aproveitar uma janela mais favorável.

Data centers

Além do mercado de capitais, Esteves apontou um vetor específico de atração de recursos externos: a expansão do setor de data centers. Segundo ele, o Brasil teria condições de receber investimentos bilionários, aproveitando a fase de forte crescimento global da infraestrutura digital. "O país tem condições de atrair tanto o Tik Tok quanto a Meta", afirmou.

Para Esteves, a presença empresarial brasileira em Davos também tem peso geopolítico e estratégico, especialmente diante do andamento do acordo entre Mercosul e União Europeia. "Neste momento em que o Brasil está praticamente concluindo o acordo do Mercosul juntamente com a União Europeia, embora ainda tenha um trâmite legal, uns desafios adiante, sem dúvida, a gente vê a importância de estarmos mais ainda posicionados aqui", disse.

Os empresários Daniel Randon, do grupo Randoncorp, e Erasmo Battistella, da Be8, também defenderam a relevância do acordo para empresas brasileiras. Randon chamou atenção para a agenda fiscal como um desafio estrutural do país. "Na cadeia, isso também é um desafio que o Brasil tem que trabalhar e olhar a longo prazo, no momento que esses acordos bilaterais ocorrem", afirmou.

Enquanto executivos e grupos privados ampliam presença em Davos, a representação do governo brasileiro aparece de forma discreta na programação. Segundo o que foi informado, apenas a ministra Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, deve representar o governo no Fórum Econômico Mundial neste ano.

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