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Aportes estrangeiros na bolsa somam R$ 10,4 bilhões em semana de recordes do Ibovespa

Entrada de capital externo impulsiona ações brasileiras e reforça movimento global de realocação para mercados emergentes

Funcionário conta notas de dólares em um banco em Westminster, Colorado, EUA - 03/11/2009 (Foto: REUTERS/Rick Wilking)

247 - A bolsa brasileira viveu uma semana marcada por forte ingresso de recursos estrangeiros e pela renovação de máximas históricas do Ibovespa. Entre os dias 19 e 23 de janeiro, investidores de fora do país aplicaram R$ 10,4 bilhões no mercado secundário da B3, período em que o principal índice acionário acumulou avanço superior a 14 mil pontos e manteve uma trajetória consistente de alta, informa o Valor Econômico.

O movimento ganhou força especialmente na sexta-feira (23), quando os aportes estrangeiros somaram R$ 2 bilhões, coincidindo com uma valorização diária de 1,86% do Ibovespa. Com isso, o saldo positivo da categoria no mês alcançou R$ 17,7 bilhões, e apenas a semana passada respondeu por cerca de 59% de todo o fluxo estrangeiro registrado em janeiro, segundo dados divulgados pela B3.

Após uma breve pausa, o Ibovespa voltou a renovar recordes e já se aproxima dos 183 mil pontos, refletindo o apetite crescente de investidores internacionais por ativos brasileiros. Em relatório, a equipe de estratégia em ações do BTG Pactual, liderada por Carlos Sequeira, avaliou que o interesse externo segue em expansão, com compras concentradas em empresas como Vale, Petrobras, MBRF, Prio e Eneva.

O desempenho da bolsa brasileira ocorre em sintonia com um movimento mais amplo de realocação de recursos globais. Dados compilados pelo BTG Pactual indicam que os fundos globais de mercados emergentes receberam US$ 17,5 bilhões em janeiro, acima dos US$ 13,1 bilhões registrados em dezembro de 2025 e dos US$ 9 bilhões observados em novembro do ano passado. Segundo o banco, “os fluxos de entrada em janeiro para fundos globais de mercados emergentes já equivalem a quase metade de todos os fluxos de entrada observados em 2025, que foram de US$ 36,7 bilhões”.

A instituição financeira também aponta que a participação das ações brasileiras na alocação desses fundos encerrou dezembro em 6,4%, acima dos 5,6% registrados no fim de 2024. A estimativa atual é de que os fundos estejam com uma posição acima da média de mercado no Brasil, em cerca de 200 pontos-base, o que indica uma visão mais construtiva em relação ao país.

Enquanto o capital estrangeiro assumiu papel de destaque nas compras, os investidores institucionais domésticos seguiram trajetória oposta. Fundos locais retiraram R$ 6,4 bilhões da B3 entre 19 e 23 de janeiro, sendo R$ 914,3 milhões apenas na sexta-feira. No acumulado do mês, o déficit dessa categoria chega a R$ 10,0 bilhões.

O investidor individual também apresentou saldo negativo no período, com retiradas de R$ 3,1 bilhões na semana analisada e de R$ 890,8 milhões somente na sexta-feira. Em janeiro, o resultado líquido desse grupo já soma saídas de R$ 2,7 bilhões.

Apesar da continuidade dos resgates em fundos de ações e da perspectiva de manutenção do CDI em patamar elevado no curto prazo, os analistas do BTG avaliam que o ritmo das retiradas tem sido mais contido. O banco destaca que um eventual ciclo de queda dos juros pode estimular o retorno gradual de recursos ao mercado acionário. “Com a Selic prevista para atingir 12% até o fim de 2026, ante os 15% atuais, seria natural esperar que algum dinheiro [de investidores locais] eventualmente retornasse para ações”, observa a instituição.

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