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Banco Central já liquidou 8 instituições ligadas ao Banco Master

Com novas decisões nesta quarta-feira, BC chega a oito empresas encerradas no sistema financeiro e amplia desmonte do conglomerado associado a Vorcaro

Sede do Banco Central, em Brasília 17/12/2024 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O Banco Central (BC) já decretou a liquidação extrajudicial de oito instituições financeiras ligadas ao conglomerado associado ao Banco Master, em um processo que vem sendo conduzido desde novembro de 2025. A medida mais recente foi anunciada nesta quarta-feira (18), quando a autoridade monetária determinou o encerramento de mais duas empresas do setor, ampliando o alcance da intervenção, destaca o jornal O Globo.

Com a decisão desta quarta, entram na lista o Banco Pleno e a Pleno DTVM, que haviam sido vendidos no segundo semestre do ano passado para Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master desde 2019. Lima deixou a sociedade no ano passado e assumiu o controle do banco Voiter, instituição que integrava o grupo, mudando posteriormente seu nome para Banco Pleno e realizando dois aportes de capital que somaram R$ 160 milhões. Procurada pelo O Globo, a defesa de Augusto Lima preferiu não se manifestar.

O Banco Pleno herdou aproximadamente R$ 6 bilhões em CDBs originários do Banco Master e tentou estruturar uma carteira de crédito própria. No entanto, não conseguiu consolidar uma frente de captação de recursos nem vender ativos em volume suficiente para sustentar suas operações. Com isso, passou a enfrentar dificuldades para honrar compromissos e pagar tanto os CDBs herdados quanto os produtos relacionados à carteira de crédito em formação.

Oito instituições já foram liquidadas desde novembro de 2025

O processo de liquidação conduzido pelo Banco Central começou em novembro de 2025, quando foram atingidas as principais empresas do conglomerado. Na primeira etapa, o BC decretou a liquidação do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento, do Banco Letsbank — que atualmente opera como BlueBank — e também da corretora vinculada ao grupo.

Em janeiro de 2026, o Banco Central ampliou a intervenção e determinou a liquidação da CBSF DTVM (ex-Reag Investimentos), apontada como parte do mecanismo usado para ocultar prejuízos dentro da estrutura do conglomerado.

Ainda no mesmo mês, no dia 21, o BC decretou também a liquidação do Will Bank, braço digital do grupo. A decisão ocorreu após o fracasso da tentativa de venda da instituição e o bloqueio das operações com cartões da Mastercard, o que comprometeu o funcionamento do banco.

Agora, com a inclusão do Banco Pleno e da Pleno DTVM, o total chega a oito instituições liquidadas pela autoridade monetária no âmbito do caso.

BC aponta insolvência e suspeitas de fraudes contábeis

Desde novembro do ano passado, o Banco Central vem desmontando o conglomerado liderado por Daniel Vorcaro após identificar insolvência financeira, suspeitas de fraudes contábeis e risco de contágio para outras instituições do sistema. A intervenção foi sendo feita em etapas, com sucessivas liquidações e ampliação do alcance das medidas regulatórias.

Caso gera maior acionamento da história do Fundo Garantidor de Créditos

O avanço das liquidações levou ao acionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que ressarce investidores em produtos cobertos, como CDBs, LCIs e LCAs, até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, respeitando o teto global de R$ 1 milhão.

O caso envolvendo o conglomerado ligado ao Banco Master se tornou o maior acionamento da história do fundo, com cerca de R$ 41 bilhões reservados para pagamentos, segundo os dados citados na reportagem.

Recuperação judicial do Grupo Fictor também entra no radar

O impacto do caso também alcançou o Grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master em novembro do ano passado. Em janeiro, a Justiça reconheceu o pedido de recuperação judicial de duas empresas do grupo, cujas dívidas acumuladas chegam a R$ 4,2 bilhões.

A Fictor apresentou uma proposta para comprar o Banco Master e aportar R$ 3 bilhões na instituição ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a empresa, a proposta provocou um movimento de resgates de investimentos por parte de seus clientes, gerando crise de liquidez e culminando no pedido de recuperação judicial.

Ainda em janeiro, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 150 milhões em bens da empresa, referentes a garantias de um contrato de operações de cartão de crédito que não vinha sendo cumprido. Em fevereiro, outros R$ 500 mil foram bloqueados, ligados a um contrato que vinha sendo oferecido para investimentos em ativos do agronegócio.

Com oito instituições já liquidadas, o caso do Banco Master se consolida como uma das maiores intervenções recentes no sistema financeiro nacional, tanto pelo volume de empresas atingidas quanto pelo impacto direto sobre investidores e mecanismos de proteção do mercado.

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