BlackRock limita resgates em fundo de crédito privado e ações caem
Gestora mantém recompra mínima de 5% no HPS Corporate Lending Fund após pedidos de retirada superarem o limite trimestral
247 - A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, restringiu pela primeira vez os resgates de um de seus principais fundos de crédito privado, movimento que sinaliza crescente cautela dos investidores em relação às condições do mercado de dívida. A decisão ocorreu após um aumento significativo nos pedidos de retirada de recursos, o que pressionou as ações da empresa, que caíram 7,2%, atingindo o menor nível desde maio, segundo o Wall Street Journal.
O HPS Corporate Lending Fund — um fundo estruturado como business-development company que não é negociado em bolsa — decidiu manter o plano de recomprar apenas até 5% de suas cotas no trimestre, que é o limite mínimo estabelecido para esse tipo de operação. O veículo de investimento, conhecido pelo ticker Hlend, recebeu solicitações de resgate equivalentes a 9,3% das cotas, conforme carta enviada aos investidores pela BlackRock, liderada pelo diretor-executivo Larry Fink.
O volume de pedidos marcou um ponto de inflexão para o fundo. Em seus quatro anos de existência, esta foi a primeira vez em que as solicitações de retirada superaram o limite de 5% previsto para recompras trimestrais. Como resultado, a gestora optou por manter o mínimo permitido para recomprar participações dos investidores.
A decisão da BlackRock ocorre em um momento de atenção crescente sobre o mercado de crédito privado, segmento que se expandiu rapidamente nos últimos anos e se tornou uma alternativa relevante ao financiamento bancário tradicional. A limitação nos resgates é vista como um mecanismo para preservar a liquidez do fundo quando há um volume elevado de pedidos de saída.
A reação do mercado foi imediata. As ações da BlackRock registraram queda acentuada no pregão, refletindo preocupações dos investidores sobre o impacto de saídas de capital em fundos de crédito privado e sobre a percepção de risco no setor de dívida corporativa.


