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Brasil avalia negociar concessões com EUA para evitar tarifa de 25%

Governo intensifica negociações ligadas ao comércio exterior com autoridades estadunidenses antes de decisão prevista para 15 de julho

Navios no Porto de Santos 01/05/2024 REUTERS/Amanda Perobelli (Foto: Amanda Perobelli)
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247 - O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. Segundo a Folha de São Paulo, integrantes da equipe econômica e diplomática trabalham na construção de um pacote de concessões comerciais que possa convencer Washington a rever ou amenizar a medida.

As conversas ocorrem com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável pela condução das tratativas ligadas à investigação comercial que embasa a possível sobretaxa. Apesar dos esforços diplomáticos, fontes do governo reconhecem que o resultado permanece incerto.

Investigação comercial pressiona exportações brasileiras

A tarifa de 25% está relacionada a uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial estadunidense. O instrumento é utilizado pelos Estados Unidos para apurar práticas consideradas desleais no comércio internacional.

A palavra final caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deverá decidir sobre a aplicação da medida até 15 de julho. A avaliação do governo brasileiro é que ainda existe margem para negociação até essa data, embora não haja garantias de que um acordo será alcançado.

Governo descarta discutir temas políticos

De acordo com a reportagem, o Brasil admite negociar concessões em áreas diretamente ligadas ao comércio exterior, mas rejeita ampliar o debate para assuntos considerados alheios à questão tarifária.

Temas como o Pix, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e questões da política interna brasileira não fazem parte das negociações. A orientação do governo é manter as tratativas restritas ao campo comercial, evitando que outros assuntos interfiram no processo.

Risco de sobretaxa total chegar a 37,5%

Além da investigação baseada na Seção 301, o Brasil enfrenta outra frente de pressão comercial. Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 12,5%, justificando a medida pelo suposto combate ao uso de trabalho forçado.

A nova taxa não atinge apenas o Brasil. Outros 58 países e a União Europeia também foram incluídos na medida anunciada por Washington.

Caso as duas sobretaxas sejam efetivamente implementadas, parte das exportações brasileiras poderá enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5%, ampliando os desafios para setores que dependem do mercado norte-americano.

Negociações seguem sem garantia de acordo

A expectativa do governo brasileiro é utilizar as próximas semanas para buscar uma solução negociada que preserve a competitividade dos produtos nacionais nos Estados Unidos. Entretanto, interlocutores envolvidos nas conversas admitem que o desfecho dependerá da avaliação final da Casa Branca.

Paralelamente, a disputa relacionada à tarifa adicional de 12,5% continua tramitando em outra frente e não deve ter definição durante a cúpula do G7, mantendo um cenário de incerteza para exportadores brasileiros.

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