Brasil desponta como principal beneficiado do acordo Mercosul–UE, diz Moody’s
Relatório aponta vantagem brasileira pela escala das exportações e potencial de ganhos no agronegócio, mineração e investimentos com o tratado comercial
247 - O Brasil tende a se consolidar como o maior beneficiado entre os países do Mercosul com a entrada em vigor do acordo comercial firmado com a União Europeia, segundo avaliação da agência de classificação de risco Moody’s. A análise considera principalmente a dimensão da economia brasileira e o perfil de suas vendas externas, com forte presença de produtos agrícolas e minerais, que devem ganhar espaço no mercado europeu com a implementação do tratado.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), a Moody’s observa que, mesmo diante dos entraves políticos e jurídicos que ainda cercam o acordo após a decisão do Parlamento Europeu de avaliar sua legalidade, o Brasil aparece como o país mais bem posicionado para capturar os benefícios econômicos do pacto. A agência destaca que a União Europeia já tem peso relevante nas trocas comerciais do bloco sul-americano. “A UE representou cerca de 16% do comércio total do Mercosul em 2024 e, para o Brasil, os produtos agrícolas (ou seja, carne bovina, aves, açúcar) e produtos minerais dominam as exportações para o bloco europeu”, afirma o relatório.
De acordo com a análise, embora uma parcela significativa das exportações brasileiras já enfrente tarifas relativamente baixas para acessar o mercado europeu — como no caso do petróleo e de minerais —, a ampliação das cotas agrícolas previstas no acordo tende a gerar ganhos adicionais importantes. Entre os exemplos citados estão as 99 mil toneladas extras de carne bovina e as 180 mil toneladas adicionais de aves, volumes que devem impulsionar a receita do agronegócio nacional.
O estudo também ressalta que a redução e eliminação de tarifas hoje aplicadas pelo Mercosul a produtos europeus pode trazer efeitos positivos para a economia brasileira no médio e longo prazos. Setores como o de autopeças, que hoje enfrentam tarifas de até 35%, e o de laticínios, com alíquotas em torno de 28%, tendem a se beneficiar de custos menores, o que pode aumentar a competitividade e a eficiência produtiva no país.
Apesar das limitações iniciais relacionadas ao processo de ratificação e às resistências políticas tanto na Europa quanto na América do Sul, a equipe liderada pelo vice-presidente de crédito da Moody’s, Adrian Garza, avalia que o acordo tem potencial para gerar impactos econômicos relevantes, ainda que de forma gradual. No curto prazo, os efeitos sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro devem ser contidos, acompanhando a projeção de expansão de apenas 0,25% do PIB do Mercosul até 2040.
Ainda assim, a agência destaca ganhos estratégicos de longo alcance. Segundo o relatório, “o acordo promove a diversificação das exportações para além da China e dos EUA, reduzindo a vulnerabilidade geopolítica”, além de criar condições mais favoráveis para a entrada de investimento estrangeiro direto. Os setores de agronegócio e energia renovável aparecem como os principais candidatos a receber novos aportes.
A Moody’s acrescenta que a União Europeia já ocupa hoje a posição de maior investidor estrangeiro no Brasil, status que tende a se fortalecer com o avanço do tratado. Com isso, empresas europeias poderão ampliar sua presença no país e, conforme ressalta o relatório, “concorram por contratos públicos em condições de igualdade com as empresas do Mercosul”, reforçando a integração econômica entre os dois blocos.


