Brasil está no melhor dos mundos, diz CEO da Siemens
País combina petróleo e energia limpa e atrai atenção global no setor energético
247 - O Brasil vive um momento considerado estratégico no cenário internacional ao reunir reservas de petróleo e potencial crescente em energias sustentáveis, o que amplia sua relevância global no setor energético. A avaliação é do CEO da Siemens no Brasil, Pablo Fava, que destaca a combinação de recursos naturais e capacidade produtiva como diferencial competitivo do país. Em entrevista à revista Exame, durante a feira industrial Hannover Messe, na Alemanha, o executivo ressaltou que o Brasil ocupa uma posição singular ao avançar na transição energética sem abrir mão de suas reservas fósseis. Segundo ele, esse equilíbrio coloca o país em vantagem diante de outras economias.
Fava citou declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a promoção de energia sustentável no país, mesmo diante da abundância de petróleo. “Nós temos petróleo, mas não temos energia sustentável. Como o presidente Lula falou no domingo, nós estamos promovendo energia sustentável, apesar de termos muito petróleo no Brasil”, afirmou.
Alta do petróleo amplia oportunidades
O executivo também destacou que o cenário internacional, com preços elevados do petróleo, favorece ainda mais o Brasil. “O preço do barril de petróleo bruto está muito alto, o que traz uma grande oportunidade de a gente explorar muito mais, e o Brasil é muito competitivo e eficiente no setor agrícola”, disse.
Esse contexto, segundo Fava, reforça a capacidade do país de ampliar sua produção energética e fortalecer sua posição no comércio global, especialmente em áreas que conectam energia e agricultura.
Biocombustíveis e demanda europeia
Durante a agenda internacional, outro ponto relevante foi o destaque dado à produção de biocombustíveis no Brasil. O tema tem ganhado importância nas negociações com a União Europeia, que impõe restrições ao uso de matérias-primas que possam competir com a produção de alimentos.
Fava explicou que o setor produtivo brasileiro já considera essas exigências e trabalha para ampliar a produção de forma sustentável. “Quando você fala com os especialistas, os que estão produzindo, eles dizem: ‘Para produzir mais, eu preciso também recuperar a terra’. Vou ter que obrigatoriamente produzir mais alimento para fazer a recuperação do solo”, afirmou.
Europa pode abrir novas oportunidades
O executivo também avaliou que mudanças regulatórias na Europa podem beneficiar diretamente o Brasil. A Alemanha, por exemplo, defende o adiamento do fim dos motores a combustão, atualmente previsto para 2035, desde que utilizem combustíveis não poluentes.
Na avaliação de Fava, essa possível flexibilização cria um cenário favorável para o país. “É uma novidade interessante, pois posiciona o Brasil como forte candidato a fornecer energia sustentável. É o parceiro praticamente ideal para esse tipo de coisa”, declarou.
Com esse conjunto de fatores, o Brasil se consolida como um dos protagonistas na transição energética global, combinando recursos naturais, inovação e capacidade produtiva para atender às novas demandas internacionais.


