HOME > Economia

Brasil Soberano 2 terá R$ 21 bilhões para apoiar empresas afetadas por tarifas dos EUA e crise no Oriente Médio

Programa operado pelo BNDES amplia alcance e inclui empresas impactadas pela guerra no Irã e instabilidade geopolítica global

Brasil Soberano 2 terá R$ 21 bilhões para apoiar empresas afetadas por tarifas dos EUA e crise no Oriente Médio (Foto: Agência Brasil )
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O governo federal vai ampliar o programa Brasil Soberano 2, destinado a apoiar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelas tensões geopolíticas internacionais. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela operação financeira da iniciativa, elevará os recursos disponíveis para R$ 21 bilhões.

O protocolo para solicitação dos financiamentos começa a valer nesta sexta-feira. O programa havia sido anunciado em março com previsão inicial de R$ 15 bilhões oriundos do Fundo Garantidor de Exportação (FGE), mas o valor total foi ampliado após o BNDES anunciar a inclusão de R$ 6 bilhões em recursos próprios.

De acordo com o banco, a nova fase do Brasil Soberano amplia o alcance da política de crédito emergencial. Além das empresas impactadas pelo tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o programa também passará a contemplar companhias brasileiras afetadas pela instabilidade internacional, incluindo os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio.

Em nota, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o banco está preparado para apoiar o setor produtivo diante das dificuldades no comércio internacional.

“O BNDES está, novamente, pronto para apoiar as empresas brasileiras neste momento de instabilidade por severas restrições no comércio internacional, adicionando R$ 6 bilhões ao apoio já anunciado”, declarou Mercadante.

O presidente da instituição também ressaltou a importância da atuação do Estado para proteger a economia nacional.

“Cabe ao Estado agir para preservar empregos, sustentar a produção nacional e garantir competitividade no mercado global”, afirmou.

Empresas elegíveis ao programa

Segundo o BNDES e portaria publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), três grupos de empresas poderão acessar as linhas de crédito do Brasil Soberano 2.

O primeiro grupo reúne empresas exportadoras de bens industriais e seus fornecedores atingidos pelas medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. Para se enquadrar, a empresa deve ter obtido ao menos 5% do faturamento bruto por meio de exportações no período entre agosto de 2024 e julho de 2025. Estão incluídos setores como aço, cobre, alumínio, automotivo e moveleiro.

O segundo grupo contempla empresas industriais de média-baixa, média-alta ou alta intensidade tecnológica consideradas estratégicas para a balança comercial brasileira ou para a transição para uma economia de baixo carbono. Nesse segmento estão empresas dos setores têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, eletrônico, de informática, borracha e minerais críticos.

Já o terceiro grupo é formado por empresas exportadoras de bens industriais — e seus fornecedores — que atuam em mercados do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein e Omã. Para participar, o faturamento com exportações para esses países deve representar pelo menos 5% da receita bruta no período entre janeiro e dezembro de 2025.

Como solicitar os financiamentos

As empresas dos grupos 1 e 3 precisarão passar por uma verificação de elegibilidade em plataforma digital disponibilizada pelo BNDES. O acesso será realizado por meio da plataforma Gov.br, utilizando certificado digital empresarial.

Após a autenticação, o sistema indicará se a companhia está apta a participar do programa e quais linhas de crédito estarão disponíveis.

Empresas de menor porte poderão solicitar os empréstimos diretamente nos bancos comerciais com os quais já mantêm relacionamento. Já as grandes companhias, com faturamento anual superior a R$ 300 milhões, também poderão negociar diretamente com o BNDES.

As empresas do segundo grupo terão acesso imediato às linhas de financiamento, independentemente da etapa de verificação prévia.

Linhas de crédito disponíveis

A medida provisória que reativou o Brasil Soberano prevê diferentes modalidades de financiamento, incluindo:

  • capital de giro;
  • capital de giro voltado à produção exportadora;
  • aquisição de bens de capital;
  • investimentos para ampliação da capacidade produtiva;
  • adaptação industrial;
  • inovação tecnológica;
  • modernização de processos e produtos.

O BNDES estruturou quatro linhas principais de crédito dentro do programa.

A linha Giro Exportação, voltada aos grupos 1 e 3, terá juros de 1,2% ao mês, prazo de até 60 meses e carência de 12 meses, com limite de R$ 50 milhões.

A linha Giro também será destinada aos grupos 1 e 3. Para grandes empresas, a taxa será de 1,35% ao mês. Micro, pequenas e médias empresas pagarão 1,2% ao mês. O prazo máximo também será de 60 meses, com até um ano de carência.

A linha Bens de Capital, disponível para todos os grupos, terá taxa de 1,18% ao mês e limite de financiamento de R$ 50 milhões.

Já a linha Investimento oferecerá as condições mais longas: juros de 1,06% ao mês, prazo de até 240 meses e carência de até 48 meses.

Primeira edição utilizou menos da metade dos recursos

Lançado originalmente em agosto do ano passado, o Brasil Soberano disponibilizou R$ 40 bilhões em sua primeira edição, sendo R$ 30 bilhões do FGE e R$ 10 bilhões em recursos próprios do BNDES.

Apesar do volume anunciado, os financiamentos aprovados até dezembro somaram R$ 16,2 bilhões — menos da metade do total disponível.

Artigos Relacionados