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CNC divulga estudo e propõe regulamentação das apostas em vez de veto total

Desde janeiro de 2023, os gastos com apostas cresceram cerca de 500%

CNC divulga estudo e propõe regulamentação das apostas em vez de veto total (Foto: Freepik/Reprodução )

247 – A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apresentou, na terça-feira (28), um novo estudo sobre o impacto das casas de aposta no país. O levantamento analisa os efeitos do crescimento do mercado sobre o consumo, o crédito e a inadimplência.

A apresentação do estudo "Impacto das Apostas Online (Bets) no Endividamento das Famílias Brasileiras" aconteceu em Brasília, no Observatório do Comércio. 

O economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, destacou que atualmente 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas, um patamar elevado dentro da série histórica. Segundo ele, o endividamento em si não é necessariamente negativo, "mas se torna um problema quando é insustentável" — cenário que tem se agravado, com alta de 2,4% desde 2022. 

O estudo indica que o avanço das apostas tem impactado negativamente o setor, especialmente devido à inadimplência severa, que reduz a capacidade de consumo das famílias. A estimativa é de uma retração de 2,5% nas vendas em 2024 e 2025, equivalente a uma perda de R$ 143,82 bilhões — valor comparado a dois períodos de Natal.

Bentes ressaltou que a CNC não é contrária às apostas online, defendendo que atividades econômicas formalizadas "não são, por natureza, prejudiciais, embora possam gerar efeitos colaterais".

D janeiro de 2023, os gastos com apostas cresceram cerca de 500%, ao mesmo tempo em que a concessão de crédito segue acima da inflação. Esse movimento tem levado muitas famílias a alongar suas dívidas, mesmo sem necessariamente entrar em inadimplência imediata. 

Entre os dados apresentados, destaca-se que famílias de menor renda lideram o endividamento, enquanto houve redução entre as mais ricas. Pessoas com mais de 35 anos concentram os maiores níveis de endividamento, e níveis mais altos de escolaridade também estão associados a maior vulnerabilidade às apostas, possivelmente por maior acesso ao sistema financeiro e às plataformas digitais.

Bentes também ressaltou que o comércio enfrenta dificuldades para crescer acima de 2%, o que não pode ser atribuído exclusivamente às bets, já que fatores como a taxa de juros também exercem forte influência. 

Entre os principais achados, o estudo destaca a necessidade de foco na inadimplência severa, a existência de assimetrias de gênero, maior impacto entre pessoas acima de 35 anos e um efeito de substituição de gastos nas faixas de renda mais altas. 

A CNC defende medidas como a regulamentação da publicidade agressiva, a promoção de educação financeira e o monitoramento de riscos associados ao setor.

A entidade também avalia como positiva a possibilidade de taxação das apostas no âmbito da reforma tributária, por meio do chamado “imposto do pecado”. No curto prazo, Bentes considerou benéfico o uso do FGTS no programa Desenrola, mas alertou que uma liberação excessiva de recursos pode gerar pressões inflacionárias. 

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