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Apostas online não explicam inadimplência, diz ANJL

Associação Nacional de Jogos e Loterias contesta CNC e diz que inadimplência no Brasil decorre de crédito caro e custo de vida elevado

Apostas esportivas (Foto: Joédson Alves / Agência Brasil)

247 - A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestou dados sobre apostas online e afirmou que a inadimplência no Brasil está ligada a fatores estruturais, como o alto custo do crédito e a pressão do custo de vida. 

Segundo o site BNLData, a entidade afirma que o gasto médio mensal com apostas é de R$ 122, valor equivalente a 3,3% da renda dos apostadores e que os dados apresentados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), não refletem a realidade do setor, além de conflitarem com informações oficiais do governo e do mercado.

Críticas aos dados da CNC

Em nota, a ANJL afirmou que os números apresentados pela CNC desconsideram a complexidade do endividamento no país. Segundo a entidade, “recortes amostrais não podem se sobrepor às bases públicas disponíveis nem sugerir uma relação causal direta entre apostas online e inadimplência do cliente”.

A ANJL defendeu que o debate precisa ser conduzido com base em evidências técnicas e dados consolidados, evitando generalizações que associem diretamente as apostas ao aumento das dívidas das famílias.

Perfil dos apostadores no Brasil

Dados compilados pela Pay4Fun indicam que cerca de 28 milhões de brasileiros participaram de apostas em 2025. Desse total, 53,3% gastaram até R$ 50 por mês, enquanto 19,5% desembolsaram valores superiores a R$ 1 mil.

Para a associação, esse cenário revela um comportamento heterogêneo, o que dificulta conclusões generalizadas sobre o impacto das apostas no orçamento familiar.

Um estudo da LCA Consultoria Econômica aponta que os gastos com apostas correspondem a aproximadamente 0,46% do consumo das famílias brasileiras. O levantamento também indica que o gasto líquido médio mensal por apostador é de R$ 122, equivalente a 3,3% da renda desse público.

Endividamento estrutural

A ANJL sustenta que o endividamento no Brasil é um problema histórico, associado principalmente ao alto custo do crédito e às taxas de juros elevadas. A entidade também destacou a pressão do custo de vida sobre a renda das famílias como fator determinante.

Outro ponto citado é o crédito rotativo do cartão, considerado uma das modalidades mais caras do sistema financeiro. Segundo a associação, milhões de brasileiros permanecem expostos a esse tipo de financiamento, o que contribui significativamente para a inadimplência.

Regulação e riscos do mercado ilegal

A entidade ressaltou que o mercado regulado de apostas opera sob supervisão do Ministério da Fazenda, com exigências de identificação de usuários, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção ao consumidor.

A ANJL alertou que o enfraquecimento desse ambiente regulado pode favorecer operadores clandestinos, que atuam sem fiscalização e sem arrecadação tributária. Nesses casos, os usuários ficam sem garantias de segurança e proteção.

A associação reiterou que está disponível para contribuir com um debate público “sério, técnico e baseado em evidências”, com foco no fortalecimento da regulação, da educação financeira e da proteção do consumidor.

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